terça-feira, 24 de março de 2015

Católicos: Sejamos coerentes sob pena de sermos hipócritas

Reflexões durante a Semana Santa
Plinio Corrêa de Oliveira

A verdadeira piedade deve impregnar toda a alma humana, e, portanto, também deve despertar e estimular a emoção. Mas a piedade não é só emoção, e nem mesmo é principalmente emoção. A piedade brota da inteligência, seriamente formada por um estudo catequético cuidadoso, por um conhecimento exato de nossa Fé, e, portanto, das verdades que devem reger nossa vida interior. A piedade reside ainda na vontade. Devemos querer seriamente o bem que conhecemos. Não nos basta, por exemplo, saber que Deus é perfeito. Precisamos amar a perfeição de Deus, e, portanto, devemos desejar para nós algo dessa perfeição: é o anseio para a santidade. "Desejar" não significa apenas sentir veleidades vagas e estéreis. Só queremos seriamente algo, quando estamos dispostos a todos os sacrifícios para conseguir o que queremos.
Assim, só queremos seriamente nossa santificação e o amor de Deus, quando estamos dispostos a todos os sacrifícios para alcançar esta meta suprema. Sem esta disposição, todo o "querer" não é senão ilusão e mentira. Podemos ter a maior ternura na contemplação das verdades e mistérios da Religião: se daí não tirarmos resoluções sérias, eficazes, de nada valerá nossa piedade.
É o que se deve dizer especialmente nos dias da Paixão de Nosso Senhor. Não nos adianta apenas o acompanhar com ternura os vários episódios da Paixão: isto seria excelente, não porém suficiente. Devemos dar a Nosso Senhor, nestes dias, provas sinceras de nossa devoção e amor.
Estas provas, nós as damos pelo propósito de emendar nossa vida, e de lutar com todas as forças pela Santa Igreja Católica.
A Igreja é o Corpo Místico de Cristo. Quando Nosso Senhor interpelou São Paulo, no caminho de Damasco, perguntou-lhe: "Saulo, Saulo, por que me persegues?". Saulo perseguia a Igreja. Nosso Senhor lhe dizia que era a Ele mesmo que Saulo perseguia.
Se perseguir a Igreja é perseguir a Jesus Cristo, e se hoje também a Igreja é perseguida, hoje Cristo é perseguido. A Paixão de Cristo se repete de algum modo também em nossos dias.
Como se persegue a Igreja?
Atentando contra os seus direitos ou trabalhando para dela afastar as almas. Todo o ato pelo qual se afasta da Igreja uma alma é um ato de perseguição a Cristo. Toda a alma é, na Igreja, um membro vivo. Arrancar uma alma à Igreja é arrancar um membro ao Corpo Místico de Cristo. Arrancar uma alma à Igreja é fazer a Nosso Senhor, em certo sentido, o mesmo que a nós nos fariam se nos arrancassem a menina dos olhos.
Se queremos, pois, condoer-nos com a Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, meditemos sobre o que Ele sofreu na mão dos judeus, mas não nos esqueçamos de tudo quanto ainda hoje se faz para ferir o Divino Coração.
E isto tanto mais quanto Nosso Senhor, durante Sua Paixão, previu tudo quanto se passaria depois. Previu, pois, todos os pecados de todos os tempos, e também os pecados de nossos dias. Ele previu os nossos pecados, e por eles sofreu antecipadamente. Estivemos presentes no Horto como algozes, e como algozes seguimos passo a passo a Paixão até o alto do Gólgota.
Arrependamo-nos, pois, e choremos.
A Igreja, sofredora, perseguida, vilipendiada, aí está a nossos olhos indiferentes ou cruéis. Ela está diante de nós como Cristo diante de Verônica. Condoamo-nos com os padecimentos dela. Com nosso carinho, consolemos a Santa Igreja de tudo quanto Ela sofre. Podemos estar certos de que, com isto, estaremos dando ao próprio Cristo uma consolação idêntica à que Lhe deu Verônica.
Incredulidade
Comecemos pela Fé. Certas verdades referentes a Deus e a nosso destino eterno, podemos conhecê-las pela simples razão. Outras, conhecemo-las porque Deus no-las ensinou. Em sua infinita bondade, Deus se revelou aos homens no Antigo e Novo Testamento, ensinando-nos não apenas o que nossa razão não poderia desvendar, mas ainda muitas verdades que poderíamos conhecer racionalmente, mas que por culpa própria a humanidade já não conhecia de fato. A virtude pela qual cremos na Revelação é a Fé. Ninguém pode praticar um ato de Fé sem o auxílio sobrenatural da graça de Deus. Essa graça, Deus a dá a todas as criaturas e, em abundância torrencial, aos membros da Igreja Católica. Esta graça é a condição da salvação deles. Nenhum chegará à eterna bem-aventurança se rejeitar a Fé. Pela Fé, o Espírito Santo habita em nossos corações. Rejeitar a Fé é rejeitar o Espírito Santo, é expulsar de sua alma a Jesus Cristo.
Vejamos, agora, em torno de nós, quantos católicos rejeitam a Fé. Foram batizados, mas no curso do tempo perderam a Fé. Perderam-na por culpa própria, porque ninguém perde a Fé sem culpa, e culpa mortal. Ei-los que, indiferentes ou hostis, pensam, sentem e vivem como pagãos. São nossos parentes, nossos próximos, quiçá nossos amigos! Sua desgraça é imensa. Indelével, está neles o sinal do Batismo. Estão marcados para o Céu, e caminham para o inferno. Em sua alma redimida, a aspersão do Sangue de Cristo está marcada. Ninguém a apagará. É de certo modo o próprio Sangue de Cristo que eles profanam quando nesta alma resgatada acolhem princípios, máximas, normas contrárias à doutrina da Igreja. O católico apóstata tem qualquer coisa de análogo ao sacerdote apóstata. Arrasta consigo os restos de sua grandeza, profana-os, degrada-os e se degrada com eles. Mas não os perde.
E nós?
Importamo-nos com isto? Sofremos com isto? Rezamos por que estas almas se convertam? Fazemos penitências? Fazemos apostolado? Onde nosso conselho? Onde nossa argumentação? Onde nossa caridade? Onde nossa altiva e enérgica defesa das verdades que eles negam ou injuriam?
O Sagrado Coração sangra com isto. Sangra pela apostasia deles, e por nossa indiferença. Indiferença duplamente censurável porque é indiferença para com nosso próximo e sobretudo indiferença para com Deus.
Conspiração
Quantas almas, no mundo inteiro, vão perdendo a Fé? Pensemos no incalculável número de jornais ímpios, rádio-emissões ímpias, (internet) de que diariamente se enche o orbe. Pensemos nos inúmeros obreiros de Satanás que, nas cátedras, no recesso da família, nos lugares de reunião ou diversão, propagam ideias ímpias. De todo este esforço, quem há de admitir que nada resulte? Os efeitos de tudo isto estão diante de nós. Diariamente, as instituições, os costumes, a arte se vão descristianizando, indício insofismável de que o próprio mundo se vai perdendo para Deus.
Não haverá em tudo isto uma grande conjuração? Tantos esforços, harmônicos entre si, uniformes em seus métodos, em seus objetivos, em seu desenvolvimento, serão mera obra de coincidências? Onde e quando, intuitos desarticulados produziram articuladamente a mais formidável ofensiva ideológica que a História conhece, a mais completa, a mais ordenada, a mais extensa, a mais engenhosa, a mais uniforme em sua essência, em seus fins, em seu evoluir?
Não pensamos nisto. Nem percebemos isto. Dormimos na modorra de nossa vida de todo o dia. Por que não somos mais vigilantes? A Igreja sofre todos os tormentos, mas está só. Longe, bem longe dEla cochilamos. É a cena do Horto que se repete.



A bem dizer, a Igreja nunca teve tantos inimigos, e, paradoxalmente, nunca teve tantos "amigos". Ouçamos os espíritas: dizem que não movem guerra nenhuma à religião, e ao Catolicismo menos ainda do que a qualquer. Entretanto, a vida de todos eles, comunistas, espíritas, protestantes, não é desde a manhã até à noite outra coisa, senão uma conspiração contra a Igreja. Também eles tem os lábios prontos para o ósculo, embora em sua mente já hajam decidido de há muito, exterminar a Igreja de Deus.



Tibieza
E entre nós? Esta Fé que tantos combatem, perseguem, atraiçoam, graças a Deus nós a possuímos.
Que uso fazemos dela? Amamo-la? Compreendemos que nossa maior ventura na vida consiste em sermos membros da Santa Igreja, que nossa maior glória é o título de cristão?
Em caso afirmativo – e quão raros são os que poderiam em sã consciência responder afirmativamente – estamos dispostos a todos os sacrifícios para conservar a Fé?
Não digamos num assomo de romantismo que sim. Sejamos positivos. Vejamos friamente os fatos. Não está junto de nós o algoz que nos vai colocar na alternativa da cruz ou da apostasia? Mas todos os dias, a conservação da Fé exige de nós sacrifícios. Fazemo-los?
Será bem exato que, para conservar a Fé, evitamos tudo que a pode por em risco? Evitamos as leituras que a podem ofender? Evitamos as companhias nas quais ela está exposta a risco? Procuramos os ambientes nos quais a Fé floresce e cria raízes? Ou, em troca de prazeres mundanos e passageiros, vivemos em ambientes em que a Fé se estiola e ameaça cair em ruínas?
Todo o homem, pelo próprio fato do instinto de sociabilidade, tende a aceitar as opiniões dos outros. Em geral, hoje em dia, as opiniões dominantes são anticristãs. Pensa-se contrariamente à Igreja em matéria de filosofia, de sociologia, de história, de ciências positivas, de arte, de tudo enfim. Os nossos amigos, seguem a corrente.
Temos nós a coragem de divergir? Resguardamos nosso espírito de qualquer infiltração de ideias erradas? Pensamos com a Igreja em tudo e por tudo? Ou contentamo-nos negligentemente em ir vivendo, aceitando tudo quanto o espírito do século nos inculca, e simplesmente porque ele no-lo inculca?
É possível que não tenhamos enxotado Nosso Senhor de nossa alma. Mas como tratamos este Divino Hóspede? É Ele o objeto de todas as atenções, o centro de nossa vida intelectual, moral e afetiva? É Ele o Rei? Ou, simplesmente, há para Ele um pequeno espaço onde se O tolera, como hóspede secundário, desinteressante, algum tanto importuno?

Quando o Divino Mestre gemeu, chorou, suou sangue durante a Paixão não O atormentavam apenas as dores físicas, nem sequer os sofrimentos ocasionados pelo ódio dos que no momento O perseguiam. Atormentava-O ainda tudo quanto contra Ele e a Igreja faríamos nos séculos vindouros. Ele chorou pelo ódio de todos os maus, de todos os Arios, Nestórios, Luteros mas chorou também porque via diante de si o cortejo interminável das almas tíbias, das almas indiferentes, que sem O perseguir não O amavam como deviam.
É a falange incontável dos que passaram a vida sem ódio e sem amor, os quais, segundo Dante, ficavam de fora do inferno porque nem no inferno havia para eles lugar adequado.
Estamos nós neste cortejo?

Eis a grande pergunta a que, com a graça de Deus, devemos dar resposta nos dias de recolhimento, de piedade e de expiação em que devemos entrar agora.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Combater ou se acovardar ante os terroristas? São Bernardo com a palavra

Os Direitos Humanos não valem para mártires, nem para cristãos perseguidos, mas sim para agitadores, bandidos, comunistas e assemelhados. Seus propugnadores, com seus berreiros e ameaças estão inteiramente ausentes diante dos massacres do Iraque, Síria etc.
As fotos abaixo descrevem palidamente o drama terrificante de cristãos cujo único crime é seguirem a Jesus Cristo.







Mas existe ainda outro tipo de omissão muito mais grave por parte do Ocidente cristão. Tornou-se indispensável a exaltação da virtude da fortaleza e da combatividade para conter essa imensa injustiça. É preciso um basta à ideia mentirosa de que o sorriso e o abraço conseguem por si só amansar os que odeiam a Jesus Cristo. A prova está no uso do chicote - aliás confeccionado por Nosso Senhor pessoalmente - que Ele fez para expulsar os vendilhões de Templo. É preciso voltarmos a admirar a virtude da combatividade e detestarmos a omissão, a indiferença e a covardia.
Exemplo magnífico de como essa questão deve ser compreendida pelos católicos é expressa pelo grande Doutor da Igreja São Bernardo de Claraval sobre os Templários:

“Quanto aos cavaleiros de Cristo, ao contrário, eles combatem tranquilamente por seu Senhor, sem temer estar pecando ao matar seus adversários, nem perecer, se eles mesmos forem mortos. Quer a morte seja sofrida, quer ela seja dada, ela é sempre uma morte por Cristo: ela não tem nada de criminosa, ela é gloriosíssima. Num caso, é para servir a Cristo; no outro, ela permite que se ganhe o próprio Cristo: este permite, com efeito, que, para vingá-lo, mate-se um inimigo, e ele se oferece a si mesmo, ainda mais de bom grado, ao cavaleiro, para consolá-lo. Assim, dizia, o cavaleiro de Cristo oferece a morte sem nada temer; todavia ele morre com mais segurança ainda: é ele quem se beneficia de sua própria morte, o Cristo da morte que ele dá. 

Pois não é sem razão que ele porta a espada: ele é o executor da vontade divina, quer seja para castigar os malfeitores ou para glorificar os bons. Quando ele mata um malfeitor, ele não é um homicida, mas, se ouso dizer, um malicida. Ele vinga o Cristo daqueles que cometem o mal; ele defende os cristãos. Se ele em si é morto, ele não perece: ele alcança seu fim. A morte que ele inflige é em proveito de Cristo; aquela que ele recebe, ao seu próprio. Da morte do pagão, o cristão pode tirar a glória, visto que ele age para a glória de Cristo; na morte do cristão, a generosidade do Rei se dá curso livre: ele convoca o cavaleiro junto de si para recompensá-lo. No primeiro caso, o justo se rejubilará vendo o castigo; no segundo, ele dirá: “Visto que o justo colhe o fruto de sua justiça, há sem dúvida um Deus que julga os homens sobre a terra”. 

Portanto, não convém matar os pagãos se se pode encontrar um outro meio de impedi-los de molestar e oprimir os fiéis. Todavia, por enquanto, mais vale que os pagãos sejam mortos, do que deixar a ameaça que representam os pecadores suspensos sobre a cabeça dos justos, a fim de evitar ver os justos se deixarem levar a cometer a iniquidade…” São Bernardo, De laude novae militiae, citado por Jean Richard, em L’Esprit de croisade, Paris, 1969.


Graves acusações serão lançadas contra os omissos dessa virtude no dia do Juízo tanto particular quanto final, uma vez que se apresenta muito evidente a constatação de que os inimigos de Jesus Cristo estão se prevalecendo escandalosamente dessa vergonhosa covardia. Mesmo nós, desse distante Brasil, adoradores do sossego e da inércia, não estamos isentos de agressões semelhantes. É uma questão de tempo. Não nos esqueçamos que os carneiros são o prato preferido dos lobos. É evidente que toda atitude nesse sentido deve ser segundo a lei de Deus e dos homens. 
Já vejo algum adorador da pseudo paz me invectivar: Você dizendo isso está pregando a violência! 
Eu respondo: Não, estou pregando a virtude da Justiça. Você que está pregando a entrega vil e covarde de incontáveis vidas aos inimigos da verdadeira paz.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Cavalos na igreja, "chimpanzé" e os Judas


Somando-se à inundação de absurdos que temos presenciado dentro de nossa Única Santa e Católica Igreja, aconteceu mais um neste mês, na catedral de São João Batista, em Lyon, na França.
Uma apresentação circense envolvendo cavalos desenvolveu-se no presbitério da igreja, com uma acróbata exibindo seu número “chimpanzesco”, sob o olhar patético de uma assembleia que já não consegue analisar um palmo da realidade.
O desrespeito pelo templo e mais ainda, pela presença de Deus é de molde a indignar qualquer católico com senso de honra, que não participe do espírito hipócrita, que ri complacente a propósito de qualquer abominação, como se nada mais fosse inconveniente ou reprovável.  
Para tais pessoas, só merece reprovação o que se opõe à onda demolidora que, aliás vai crescendo dia a adia.
Dentro desse caos anticatólico, o que mais indigna é a cumplicidade evidente de certo clero, que já perdeu a fé, mas que continua desde seu cargo a trair Cristo Nosso Senhor perdendo as almas e demolindo a Igreja.


sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Por fidelidade à Fé e ao Papado, Resistimos

O explícito apoio e estímulo dado no Vaticano pelo Papa Francisco ao Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST - Via Campesina), cujos membros são conhecidamente comunistas, invasores de terras, violentos destruidores de bens alheios legítimos, que há décadas vêm tentando realizar sem sucesso uma Reforma Agrária baseada em princípios opostos à doutrina católica, principalmente no que tange à propriedade privada, causou-me, e a muitos, uma imensa perplexidade!
Sempre fui anticomunista em razão de minhas convicções católicas. É porque católico, é em nome dos princípios católicos, que sou anticomunista. Aliás, muitos católicos são como eu.
Diante do apoio claro dado por Francisco ao ultra esquerdista Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra, nós, católicos anticomunistas, ficamos num dilema: como explicar nossa posição enquanto católicos?  Nossa atuação fica sujeita a uma objeção supremamente embaraçosa: a ação anticomunista que efetuamos não conduz a um resultado precisamente oposto ao desejado pelo Vigário de Jesus Cristo?
Resta-nos, enquanto católicos anticomunistas, cessar nossa atuação ou dar uma explicação:
Inspiro-me no profético manifesto de Plinio Corrêa de Oliveira, escrito em 1974, diante da catastrófica política de Paulo VI de distensão com os governos comunistas.
“Cessar a luta, não o podemos. E é por imperativo de nossa consciência de católicos que não o podemos. Pois se é dever de todo católico promover o bem e combater o mal, nossa consciência nos impõe que defendamos a doutrina tradicional da Igreja, e combatamos a doutrina comunista.
“O mundo contemporâneo ressoa por toda parte com as palavras "liberdade de consciência". São elas pronunciadas em todo o Ocidente, e até nas masmorras da China... ou de Cuba. Muitas vezes essa expressão, de tão usada, toma até significados abusivos. Mas no que ela tem de mais legítimo e sagrado se inscreve o direito do católico, de agir na vida religiosa, como na vida cívica, segundo os ditames de sua consciência.’
“Sentir-nos-íamos mais agrilhoados na Igreja do que o era Soljenitsin na Rússia soviética, se não pudéssemos agir em consonância com os documentos dos grandes Pontífices que ilustraram a Cristandade com sua doutrina.’
“A Igreja não é, a Igreja nunca foi, a Igreja jamais será tal cárcere para as consciências. O vínculo da obediência ao Sucessor de Pedro, que jamais romperemos, que amamos com o mais profundo de nossa alma, ao qual tributamos o melhor de nosso amor, esse vínculo nós o osculamos no momento mesmo em que, triturados pela dor, afirmamos a nossa posição.’
“Neste ato filial, dizemos ao Pastor dos Pastores: Nossa alma é Vossa, nossa vida é Vossa. Mandai-nos o que quiserdes. Só não nos mandeis que cruzemos os braços diante do lobo vermelho que investe. A isto nossa consciência se opõe.’
“Sim, Santo Padre – continuamos – São Pedro nos ensina que é necessário "obedecer a Deus antes que aos homens" (At. V, 29). Sois assistido pelo Espírito Santo e até confortado – nas condições definidas pelo Vaticano I – pelo privilégio da infalibilidade. O que não impede que em certas matérias ou circunstâncias a fraqueza a que estão sujeitos todos os homens possa influenciar e até determinar Vossa atuação. Uma dessas é – talvez por excelência – a diplomacia. E aqui se situa a Vossa política de distensão com os governos [e líderes] comunistas.
“Aí o que fazer? As laudas da presente declaração seriam insuficientes para conter o elenco de todos os Padres da Igreja, Doutores, moralistas e canonistas – muitos deles elevados à honra dos altares – que afirmam a legitimidade da resistência. Uma resistência que não é separação, não é revolta, não é acrimônia, não é irreverência. Pelo contrário, é fidelidade, é união, é amor, é submissão.

"'Resistência' é a palavra que escolhemos de propósito, pois ela é empregada nos Atos dos Apóstolos pelo próprio Espírito Santo, para caracterizar a atitude de São Paulo. Tendo o primeiro Papa, São Pedro, tomado medidas disciplinares referentes à permanência no culto católico de práticas remanescentes da antiga Sinagoga, São Paulo viu nisto um grave fator de confusão doutrinária e de prejuízo para os fiéis. Levantou-se então e 'resistiu em face' a São Pedro (Gal. II, 11). Este não viu, no lance fogoso e inesperado do Apóstolo das Gentes, um ato de rebeldia, mas de união e amor fraterno. E, sabendo bem no que era infalível e no que não era, cedeu ante os argumentos de São Paulo. Os Santos são modelos dos católicos. No sentido em que São Paulo resistiu, nosso estado é de resistência.
“E nisto encontra paz nossa consciência.
“Resistir significa que aconselharemos os católicos a que continuem a lutar contra a doutrina comunista com todos os recursos lícitos, em defesa da Pátria e da Civilização Cristã ameaçadas.
“Resistir significa que jamais empregaremos os recursos indignos da contestação, e menos ainda tomaremos atitudes, que em qualquer ponto discrepem da veneração e da obediência que se deve ao Sumo Pontífice, nos termos do Direito Canônico.”
Isso posto, recordamos aqui que Nossa Senhora nos advertiu em Fátima explicitamente contra os erros da Rússia, ou seja, do comunismo. Portanto, favorecer, estimular, encorajar, apoiar de qualquer maneira o comunismo é desobedecer frontalmente a Nossa Senhora.
Lembramos ainda a imensa quantidade de documentos pontifícios condenando o comunismo, peças do Magistério da Igreja inspiradas na coerência doutrinária bimilenar da Igreja, assistida pelo Espírito Santo, que poder algum pode ignorar ou invalidar.
Nossa atitude de Resistência é a expressão sincera e firme de nossa fidelidade inabalável a Deus, à Sua Santa Igreja e ao Vigário de Cristo na terra, abarcando todos os temas que se inserem nas circunstâncias descritas acima.
Conscientes da imensa crise que atinge a humanidade, especialmente nossa Santa Igreja, continuaremos nossa luta pacífica e legal, tendo sempre presente no espírito que, quaisquer que sejam as perplexidades que nos envolvam, manteremos nossa fé indefectível na promessa de Nosso Senhor Jesus Cristo de que as portas de inferno não prevalecerão contra a Santa Igreja Católica Apostólica Romana, Sua única Igreja verdadeira.


terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Uma carta do Menino Jesus para você

Uma freira, que está no foco da perseguição anticatólica na Síria, compôs a carta abaixo, realmente inspirada. Por recomendação de Dom Luiz, Chefe da Casa Imperial, faço chegar o texto aos leitores do Resistir na Fé ainda dentro da oitava do Natal.


Caros amigos, 

Como todos sabem, o dia de meu aniversário se aproxima. Todos os anos há uma grande festa em minha honra e eu creio que ainda neste ano a celebração vai ocorrer. 
Durante este período, todo mundo vai às compras, adquire presentes, há abundante propaganda no rádio e nas lojas, e tudo isto aumenta à medida que o meu aniversário se aproxima.
É muito bom saber que pelo menos uma vez por ano algumas pessoas pensam em mim. No entanto, noto que, se a princípio as pessoas pareciam entender e pareciam gratas por tudo o que fiz por elas, quanto mais o tempo passa menos elas aparentam se lembrar da razão desta celebração. As famílias e os amigos se reúnem para se divertir, mas eles nem sempre sabem o significado da festa.
Lembro-me que no ano passado houve um grande banquete em minha honra. A mesa da sala de jantar estava cheia de comidas deliciosas: bolos, frutas e chocolates. A decoração era magnífica e havia muitos presentes bonitos embrulhados de maneiras muito especiais.
Mas você sabe o quê? Eu não fui convidado... Em teoria eu era o convidado de honra, mas ninguém se lembrou de mim e não me enviaram um convite. A festa era em minha honra, mas quando o grande dia chegou me deixaram de fora, e eles fecharam a porta na minha cara... e ainda assim eu queria estar com eles e compartilhar sua mesa. Na verdade, aquilo não me surpreendeu, pois nos últimos anos todas as portas se fecham diante de mim. 
Como eu não fora convidado, decidi participar da festa sem fazer barulho, sem ser notado. Eu me coloquei em um canto, e observava. Todo mundo bebia, alguns estavam bêbados, eles faziam troça e riam de tudo. Eles tinham um bom momento.
Para tudo coroar, aquele homem gordo de barba branca chegou, vestindo uma longa roupa vermelha, e rindo sem parar: 'ho, ho, ho!’ Ele se sentou no sofá e todas as crianças correram em volta dele, gritando "Papai Noel! Papai Noel!", como se a festa fosse em sua homenagem!
À meia-noite, todo mundo começou a se abraçar; abri os braços e esperei que alguém viesse me apertar em seus braços e... Você sabe o que?... Ninguém veio até mim! 
De repente eles começaram a trocar presentes. Eles os abriram um por um numa grande excitação. Quando tudo tinha sido desempacotado, olhei para ver se talvez um presente havia sido deixado para mim. O que você sentiria se no dia de seu aniversário todos trocassem presentes e você não recebesse nenhum? 
     Eu finalmente compreendi que eu não era desejado naquela festa, e saí silenciosamente...
A cada ano fica pior. As pessoas só se lembram do que comem e bebem, dos presentes que receberam, e ninguém pensa em mim. Eu quereria para o Natal deste ano que vocês me deixassem entrar em suas vidas. Desejaria que vocês se lembrassem de que há mais de 2000 anos eu vim ao mundo para dar a minha vida por vocês e, finalmente, para salvá-los. Hoje eu só quero que vocês acreditem nisto de todo coração.
Como muitos não me convidaram para a sua festa no ano passado, desta vez eu vou organizar minha própria festa e espero que muitos de vocês se juntem a mim.
À maneira de resposta positiva ao meu convite, envie esta mensagem para o maior número de pessoas que vocês conhecem. Eu serei eternamente grato a vocês.
Eu amo muito vocês!

                Jesus

Embora tenha chegado com certo atraso, ainda há tempo para oferecermos alguma reparação pelas infinitas ingratidões e pecados cometidos nesses dias tão cheios de significado para os verdadeiros católicos.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Vivamos um Natal sem hipocrisia

                Mais uma vez, nos aproximamos do Natal. Outrora se dizia Santo Natal, mas chamar o Natal de Santo hoje é propriamente um disparate.
                Porque o Natal hoje é sinônimo de boas vendas, luzes frias e postas sem sentido enchem as ruas e shoppings. Balconistas esboçam sorrisos interesseiros para conquistar clientes. O grande astro é o Papai Noel, marketeiro ateu. Os brinquedos já não são inocentes, nem maravilhosos, mas reproduzem frequentemente seres horríveis da TV ou do cinema. As pessoas viajam e se largam, se desabotoam, nos ambientes ondem vivem as festas. Come-se demais, bebe-se demais, veste-se de menos, relaxam-se os costumes e as maneiras. Nada de sobrenatural, nada de elevação, nada de piedade autêntica. Excessos se sucedem nos dias de comemoração, antecedendo a frustração da volta para casa. Buscou-se em tudo o maior prazer, mas não foi encontrado. Uma sensação de fracasso invade as almas. Após a chegada em casa, a marcação de consulta ao psicólogo, ao psiquiatra, para sair da depressão.
                Sobretudo Aquele que é a razão do Natal ficou completamente esquecido. Para esses, Deus, o Salvador, o Redentor em nada lhes é sensível e está completamente ausente. São os hipócritas. Comemoram o aniversário sem dar a menor importância ao aniversariante.

                Porém, felizmente há outros que sabem como viver adequadamente a grande festa.
                Recolhidos, cheios de gratidão pela vinda do Messias, contemplam o Menino Jesus, Verbo de Deus encarnado, que dorme numa pobre manjedoura, guardado por Nossa Senhora e São José. Lembram-se esses de agradecer o bem infinito da redenção. Lembram-se que essa redenção foi a maior prova de amor que Deus pode demonstrar por suas criaturas. Sentem-se por isso felizes por pertencerem a esse Deus infinitamente bom, e procuram expressar-Lhe sua profunda união.
                Rezam e meditam, sim, mas também comem e bebem com equilíbrio, comportam-se como seres nos quais a alma predomina e rege todos os seus atos. Uma temperança mantem nos devidos limites tudo o quanto fazem. Por isso, no final, não se sentem frustrados, mas elevados; não se sentem desarranjados, mas ordenados; não se sentem tristes, mas felizes. Viveram o Santo Natal e, pelo favor de Nossa Senhora, receberam graças que os aproximaram ainda mais do seu Criador que veio ao mundo para redimi-los.

                Esse é um Natal sem hipocrisia, cheio de autêntico amor, de união e verdadeira paz. Assim devemos viver o Santo Natal.
                Desejamos a nossos leitores um Santo Natal e um Ano Novo repleto de graças que se estendam por todo 2014.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Para degustação dos mais argutos


Uma adepta entusiasta de Plinio Corrêa de Oliveira me encaminhou o artigo abaixo, o qual eu reproduzo aqui para a degustação dos espíritos mais argutos.





A Beatificação de Pio X, o campeão do antimodernismo
                                                                                                                                                     Plinio Corrêa de Oliveira




Notícias provenientes de Roma informam que o processo de beatificação de Pio X está muito adiantado, tendo entrado em sua última fase. É assim que falta apenas o último exame dos inúmeros documentos que formam o processo. Logo após será promulgado o decreto de beatificação, em data que se crê bastante próxima, isto é, em princípios de 1942.

A elevação de Pio X à honra dos altares terá um significado todo especial, na época difícil que o mundo atravessa. Muito se tem procurado deformar a fisionomia do grande Pontífice, para mostrar apenas o aspecto manso, humilde e simples, desprezando a sua energia sem limites, a sua decisão inflexível, o seu zelo heróico e inquebrantável pela pureza da doutrina. Chegam mesmo a fazer de Pio X a figura de um bonachão simplório, ao agrado dos liberais, dos desfibrados e dos sentimentais.

Contudo, no santo Pontífice é preciso não separar, nem preterir uma a favor de outra, as duas qualidades, que são, aliás, as qualidades de todo e qualquer bom católico: a suavidade e a fortaleza. Suavidade, que não deve ser a pieguice mórbida das sensibilidades descontroladas, mas que é antes de mais nada o domínio absoluto da razão sobre as paixões, sobre as idiossincrasias, sobre os afetos, sobre todos os movimentos da parte inferior da natureza  humana. Fortaleza, que não deve ser a brutalidade estúpida dos bandidos e dos tiranos, mas a determinação inabalável de cumprir o dever, custe o que custar. E assim Fortaleza e Suavidade não se excluem nem se opõem, mas se completam e se harmonizam.

Pio X realizou maravilhosamente, em sua vida, a síntese destes dois aspectos do Catolicismo. Acolhedor e afável para os bons e os verdadeiramente arrependidos, foi o martelo inexorável das heresias, não regateando os golpes com que feriu os propagandistas do erro. E é este mesmo Papa doce e amável quem acumula, em suas encíclicas, as expressões duras e contundentes contra os semeadores da mentira e da discórdia. E ainda aí havia suavidade, a inenarrável suavidade do pastor que, por amor de suas ovelhas, acomete corajosa e intrepidamente, sem cuidar de si, a matilha dos lobos esfaimados.

As taras acumuladas durante o século XIX vieram abrolhar neste tumor maligno do modernismo, feito de impressionismos vagos, de exaltações suspeitas, de sentimentalismos  adocicados, de um filantropismo naturalista e de um irracionalismo sensualista. Mas, sobretudo, o modernismo, por sua própria natureza, se apresentava com esta nota inédita: era a primeira heresia que não abria luta declarada contra a doutrina oficial, mas se confundia habilmente em manejos tortuosos, procurando aninhar-se jeitosamente no seio da Igreja.

Pois bem. Foi Pio X quem, de espada em punho, saiu a desentocar a serpente, para tocá-la donde ela não queria sair.
Entretanto, embora ferido de morte, o modernismo ainda continua a existir por aí, procurando sempre empestar os ambientes católicos. Certas mofas, que de vez em quando se ouvem, contra o raciocínio discursivo e contra o valor da apologética, não tem outra origem. Certo gongorismo intelectual, que consiste em jogar jeitosamente com o valor das idéias, burlando-lhes o sentido tradicional, tudo consistindo em divagações imprecisas, cheias de vaidade e pobres de verdade, com aparências de profundidade, e não passando de escamoteação, também vem daí. Esta incoerência em que se diluem os conceitos mais elementares, que se pode notar tantas vezes, ainda é modernismo. E, principalmente, tanto
laxismo, que corre mundo sob capa de caridade, não passa de autentico modernismo.
Portanto, nada mais a tempo que a próxima beatificação de Pio X, a fim de que as virtudes do grande Papa sejam um estímulo e exemplo para os que combatem os erros da era presente. 
Legionário, n° 488, 18 de janeiro de 1942, pág. 1


Quanta conclusão a tirar desse artigo de 1942, mas tão atual...