quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

O Espírito Santo e o Conclave

Pareceu-me oportuno publicar o artigo de Hélio Dias Viana, conforme os leitores poderão perceber.



Em face da inusitada abdicação de Bento XVI, estamos na iminência de um conclave para eleger o novo Papa.

É corrente e inteiramente conforme com a verdade admitir a ação do Divino Espírito Santo nessa ocasião.

Mas cumpre esclarecer que, contrariamente ao que muitos pensam, o Espírito Santo não age sozinho.

A escolha será feita por homens — no caso, por cardeais, livres para corresponder ou não às inspirações do Paráclito —, de tal forma que, ao sair o novo Papa, não se pode pura e simplesmente dizer que foi o Espírito Santo que o escolheu.

Quantas vezes o Espírito Santo se tem deixado “derrotar” por injunções políticas dos homens, para castigo destes!

Aliás, o vaticanista norte-americano John Allen reproduz as seguintes palavras de Bento XVI, quando perguntado sobre o papel do Espírito Santo na eleição dos Papas:

“Eu não diria, no sentido de que o Espírito Santo escolhe o Papa. [...] Eu diria que o Espírito Santo não assume propriamente controle da questão, mas que, como bom educador que é, nos deixa muito espaço, muita liberdade, sem nos abandonar inteiramente. Portanto, o papel do Espírito Santo deveria ser entendido num sentido muito mais elástico, não de que Ele dite o candidato no qual devemos votar...”.

* * *
Foi pensando em tudo isso que me veio à mente a enorme expectativa criada pelo lulo-petismo em torno do anterior conclave que elegeu Papa o então Cardeal Ratzinger, em 2005.

O PT esperava ver alçado à direção suprema da Igreja um cardeal brasileiro que simpatizasse com sua causa, pois, diziam seus líderes, para a vitória definitiva do socialismo no Brasil e na América Latina, só precisavam de um Papa que os apoiasse. E Dom Cláudio Hummes, Arcebispo de São Paulo, estava então no centro da preferência dos petistas.

Essa expectativa, como se vê, não se realizou. E, apesar de aparelhado nestes últimos dez anos, o governo petista continua desnorteado, pois não conta com o apoio da opinião pública majoritariamente católica. E seu malogro nas últimas eleições municipais só não foi maior, porque obteve nos meios eclesiásticos de São Paulo, alguém que foi decisivo para a vitória do marxista Fernando Haddad.

Mas pode-se perguntar: se a expectativa petista para o conclave de 2005 tivesse se verificado, a escolha teria sido inspirada pelo Espírito Santo?
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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

E o futuro Papa?


Que Nosso Senhor, cabeça da Igreja, suscite um novo Adriano VI proporcionado aos problemas de nossos dias. Para edificação e esperança dos leitores, a leitura do texto abaixo parece realmente oportuna.
Esse texto, contendo uma alentada citação do Papa Adriano VI, é de Plinio Corrêa de Oliveira, e o extraímos de seu prefácio ao livro: “A TFP: uma vocação. TFP e famílias. TFP e famílias na crise espiritual e temporal do século XX”. (http://www.pliniocorreadeoliveira.info/PRE_8602_Papa_AdrianoVI_meaculpa.htm).
Por brevidade, deixamos de transcrever as notas de rodapé referentes ao prefácio.

Adriano VI (1522-1523), nascido em Utrecht (Holanda), mas considerado o "último Pontífice alemão" até que fosse elevado à Sé de Pedro o Papa Bento XVI (2005-2013).

A família e a Igreja em crise
        A responsabilidade por essa situação desastrosa não toca apenas ao Estado.
        A Santa Igreja Católica, a única verdadeira Igreja de Deus, se vê envolta hoje em uma crise cuja gravidade já foi discernida por Paulo VI, bem insuspeito, entretanto, de pessimismo ou animadversão para com o mundo moderno, ao qual fez aberturas que surpreenderam por vezes não poucos dentre os melhores.
        João Paulo II, entretanto tão benévolo – ele também – em relação ao mundo moderno, expendeu reflexões análogas; e um Prelado eminente pelo saber e pelas altas funções que ocupa na Santa Igreja, o Cardeal Joseph Ratzinger, Prefeito da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, publicou em 1985 seu famoso "Rapporto sulla Fede", no qual se deve louvar a nobre franqueza com que descreve sintomas altamente expressivos da crise que lavra como um incêndio no interior da Santa Igreja.
        O valor deste autorizado testemunho cresce ainda de ponto considerando-se que o Purpurado, quer no conjunto de sua obra de intelectual, quer em sua atuação à testa do ex-Santo Ofício, vem seguindo uma linha que não permite incluí-lo honestamente entre os que as "mass-media" qualificam de reacionários, saudosistas, extremistas da intolerância etc.
        Ora, de onde procede essa dolorosa crise na Igreja? Sem dúvida, e em larga medida, de agentes do Leviatã comunista que, de fora da Cidade Santa, se empenham com esforço total em destruí-La. Mas uma pesquisa dos fatores dessa crise não seria lúcida nem proba se se limitasse a olhar para além dos muros dEla. Cumpre indagar se também entre os católicos – entre os leigos bem entendido, mas também nas fileiras augustas da Sagrada Hierarquia – há propulsores de tal crise.
        A pergunta pode surpreender a alguns… dia a dia menos numerosos. Não faltará ainda quem brade, alarmado, que ela é escandalosa, revolucionária, blasfema.
        É explicável que a tais reações conduza a crassa ignorância religiosa em que estão imersos tantos fiéis neste triste ocaso do século XX. Na realidade, se conhecessem melhor a doutrina e a História da Igreja, a reação deles seria bem outra. A fim de evitar digressões doutrinarias, destinadas a aplacar tal estranheza, as quais se afastariam por demais do eixo central das presentes considerações, basta lembrar aqui um documento memorável, a instrução do Papa Adriano VI (1522-1523), lida pelo Núncio pontifício Francisco Chieregati aos Príncipes alemães reunidos em dieta, em Nuremberg, em 3 de janeiro de 1523.
            Transcreve largos trechos desse documento o historiador austríaco Ludwig von Pastor em sua obra célebre "Geschichte der papste" – História dos Papas. A conjuntura em que essa instrução foi ditada pelo Pontífice se insere na terrível crise protestante do século XVI, tão semelhante e ao mesmo tempo tão menos profunda do que a de nossos dias.
        Dessa Instrução destacamos os seguintes tópicos:
        "Deves (dirige-se o Pontífice ao Núncio Chieregati) dizer também que reconhecemos livremente haver Deus permitido esta perseguição a sua Igreja, por causa dos pecados dos homens, e especialmente dos Sacerdotes e Prelados, pois de certo não se encurtou a mão do Senhor para nos salvar; mas são nossos pecados que nos afastam dEle, de modo que não nos ouve as suplicas.
        "A Sagrada Escritura anuncia claramente que os pecados do povo tem origem nos pecados dos sacerdotes, e por isto, como observa (São João) Crisóstomo, nosso Divino Salvador, quando quis purificar a enferma cidade de Jerusalém, dirigiu-se em primeiro lugar ao Templo, para repreender antes de tudo os pecados dos sacerdotes; e nisso imitou o bom médico, que cura a doença em sua raiz.
        "Bem sabemos que, mesmo nesta Santa Sé, ha já alguns anos vem ocorrendo, muitas coisas dignas de repreensão; abusou-se das coisas eclesiásticas, quebrantaram-se os preceitos, chegou-se a tudo perverter. Assim, não é de espantar que a enfermidade se tenha propagado da cabeça aos membros, desde o Papa até aos Prelados.
        "Nós todos, Prelados e Eclesiásticos, nos afastamos do caminho reto, e já há muito não há um que pratique o bem. Por isso devemos todos glorificar a Deus e nos humilharmos em sua presença; que cada um de nós considere por que caiu, e se julgue a si mesmo, ao invés de esperar a justiça de Deus no dia de sua ira.
        "Por isto (igualmente) deves tu prometer em nosso nome que estamos resolvidos a empregar toda a diligencia a fim de que, em primeiro lugar, seja reformada a Corte romana, da qual talvez se tenham originado todos esses danos; e acontecerá que, assim como a enfermidade por aqui começou, também por aqui comece a saúde.
        "Nós nos consideramos tanto mais obrigados a levar isto a bom termo, quanto todo o mundo deseja semelhante reforma.
        "Porém não procuramos nossa dignidade pontifícia (o Papado que Adriano VI exerce), e de mais bom grado teríamos terminado na solidão da vida privada nossos dias; de bom grado teríamos recusado a tiara, e só o temor de Deus, a legitimidade da eleição e o perigo de um cisma nos determinaram a aceitar o supremo munus pastoral. Em consequência, queremos exerce-lo não por ambição de mando, nem para enriquecer nossos parentes, mas para restituir à Santa Igreja, Esposa de Deus, sua antiga formosura, prestar auxilio aos oprimidos, elevar os varões sábios e virtuosos, e genericamente fazer tudo o que compete a um bom pastor e verdadeiro sucessor de São Pedro.
        "Não obstante, que ninguém se surpreenda, se não corrigirmos todos os abusos de um só golpe; pois as doenças estão profundamente arraigadas e são múltiplas; pelo que é preciso proceder passo a passo, e opor primeiramente os oportunos remédios aos danos mais graves e perigosos, para não perturbar ainda mais a fundo por meio de uma precipitada reforma de todas as coisas. Com razão diz Aristóteles que toda mudança repentina é muito perigosa para uma sociedade" . 
        Quantos ensinamentos profundos há a deduzir dessas nobres e sábias considerações! Ninguém as pode tachar de irreverentes para com a Santa Igreja, de escandalosas, revolucionárias, blasfemas, como de bom grado o fariam certos católicos de vistas estreitas.
        E quantos exemplos concretos haveria que citar em cada país da Cristandade contemporânea em confirmação desses ensinamentos de Adriano VI! (...).

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Tal o Mestre, tais seus discípulos


Não há quem não se indigne até o máximo assistindo o vídeo postado no site do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira sobre a covarde agressão perpetrada por um grupo de agitadores pró-homossexuais, de Curitiba, contra os caravanistas da Cruzada pela Família.
Palavrões, gestos obscenos, gritos, zombaria, escarros, agressão física sangrenta, provocações as mais insultantes por parte desses agitadores não conseguiram, entretanto, vergar a presença de espírito, a prudência, a determinação e a coragem dos valorosos caravanistas.
O êxito indiscutível que a campanha contra o aborto e a agenda homossexual vai adquirindo junto à opinião pública faz compreender a “perda das estribeiras” por parte do lobby homossexual e seus orientadores. A imensa maioria dos brasileiros não só não se simpatiza com a agenda homossexual como lhe é contrária. Daí o grande apoio que vem recebendo a campanha.
Tratava-se pois, para os defensores da agenda homossexual, de desdourar a imagem brilhante da caravana e dos caravanistas do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira. Daí o monstruoso ataque.
Quantas considerações poderiam ser feitas em face de uma situação caracterizada por um confronto de posições tão opostas. E várias, muito a propósito aliás, já foram feitas.
Uma consideração que se pode acrescentar à gloriosa panóplia é a da semelhança de situação com o Divino Salvador entregue nas mãos dos verdugos.


De um lado os que professam publicamente a autêntica Fé católica pregada por Nosso Senhor Jesus Cristo.
De outro lado, uma minoria atrevida ao extremo, defendendo abertamente pecados que ofendem diretamente os preceitos de Nosso Senhor e de Sua Santa Religião.
Os defensores da Lei de Deus, sob o impacto da torpe agressão, se viram isolados, encontrando apenas na sua confiança e espírito sobrenatural, o apoio para manter corajosamente alta a condição, que vai se tornando cada vez mais evidente, de verdadeiros confessores da Fé.
Quanto aos opositores da Lei de Deus, um ódio e um atrevimento, apesar de seu número insignificante, nascidos do respaldo que recebem de quem lhes permite fazer o que bem entendam, sem o menor risco de sofrerem consequência alguma.
O que será do Brasil se a agenda homossexual vencer? O vídeo também dá ocasião dos brasileiros fazerem uma ideia.
Contemplando o quadro de Nosso Senhor sendo zombado por um soldado, composto por Carl Bloch, não há exagero em afirmar que vivemos uma situação, por alguns aspectos, muito semelhante.
O mesmo ódio, o mesmo ímpeto de agressão, a mesma sanha do carrasco contra Nosso Senhor é vista na agressão sofrida pelos caravanistas.
Por outro lado, a mesma calma, a mesma mansidão, a mesma distância psíquica, e por que não dizer, embora em nível muito menor que a do Salvador, mas reflexo sublime dela, a mesma superioridade está expressa nas fisionomias dos caravanistas. Saliento aliás, que bem à maneira do espírito de seu Fundador Plinio Corrêa de Oliveira.
Uma espécie de “aura dourada” sobrenatural envolveu de modo saliente os caravanistas, isso salta aos olhos vendo o filme.
É comovente contemplar essa aura, pois ela é o galardão prometido por Nosso Senhor quando disse no sermão das bem-aventuranças:
“Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da Justiça, porque deles é o Reino dos Céus.
Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem, perseguirem e mentirem, dizendo todo mal contra vós por minha causa.
Exultai e alegrai-vos, porque é grande vosso galardão nos céus, porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós." (São Mateus 5, 10 – 12)
Afinal, tal o Mestre, tais seus discípulos. 

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

PARA OS QUE CREEM E PARA OS QUE NÃO CREEM


Estamos novamente no Natal. Muitos enfeites, muitas luzinhas, muita gastança, muitos papais noéis.
A única coisa escassa é a presença daquEle que dá sentido ao Natal, o Menino Jesus, nosso Salvador e Redentor.
Quais as pessoas que ainda sabem quem Ele é? Todos Lhe pedem consolações, bens materiais, paz. Quem Lhe oferece seu amor, seu coração, sua fidelidade?
E, no entanto, Ele, embora tão doce e acessível na manjedoura, será o Juiz que dará a cada um de nós uma sentença eterna de prêmio ou de castigo! Isso é sério!
O pecado está por toda parte e a maioria vai, aos poucos, deixando de crer, por culpa da sociedade atual e da infeliz situação de muitos clérigos, por missão, guardiães da Fé e da moral.
Para firmar ainda mais na Fé aqueles que creem no Menino Jesus e para fortalecer a Fé dos incrédulos, recomendo a magnífica ficha abaixo, onde o leitor poderá ver o exemplo de uma autêntica Fé.
Preparemo-nos porque nosso futuro poderá ser mais difícil do que o da narração, mas a vitória mais espetacular.
VEM MENINO JESUS!


 O Padre Norberto, testemunha da insurreição de Budapeste em 1956, fora um dos últimos fugitivos a chegar ao campo de refugiados húngaros. O seu aspecto revelava ainda as privações, as insônias e as provas terríveis por que passara. Tinha as feições crispadas e endurecidas, e nos seus olhos havia uma expressão de fria revolta. Olhando-o, compreendi o choque psicológico que a derrota lhe causara.

Ele chegava da fogueira horrível onde se queimara a seiva ardente de almas sedentas de liberdade e de independência. Nós éramos os que, na retaguarda, nada tínhamos feito. Como começar? Como interrogá-lo? Como quebrar esse ressentimento hostil, que o seu rosto nos transmitia? Tateando, eu lhe fiz meu pedido:

— Conheço a tragédia que lhe esmagou a alma, e não quero reavivá-la. Mas peço-lhe que me fale da resistência espiritual do povo húngaro, da sua vivência, a despeito da derrota...

Transcrevo a seguir, com suas próprias palavras, o depoimento do Padre Norberto.

Vivi horas de esperança e de terror, mas o que mais me impressiona não é o sacrifício heroico dos adultos, e sim a coragem, a resistência das crianças, a grandeza das suas atitudes e das suas palavras. Dão lições aos grandes, e em seguida permanecem pequeninos, simples, humildes.

Na escola da paróquia da qual fui expulso deu-se um fato surpreendente. O que aconteceu não poderia ser a alucinação coletiva de trinta e duas crianças e da sua professora, mas tem que ser aceito como um fato.

Gertrudes, a professora da escola, era uma ateia militante. Todas as suas lições giravam em torno da impiedade e da negação de Deus. Tudo lhe servia para denegrir, ridicularizar ou conspurcar a nossa Religião. O seu programa de ensino era simples: arrancar da alma das crianças a fé e formar legiões de pequeninos "sem Deus". As crianças, intimidadas, não ousavam defender-se. No entanto, as suas famílias eram católicas e profundamente crentes nas suas práticas religiosas.

Eu era o cura da igreja paroquial, e reunia essas crianças para as lições do catecismo. Na Hungria, como nos outros países além da "cortina de ferro", o ensino é assim: na família, na igreja, luta-se para que a crença não se perca, mas nas escolas semeia-se e impõe-se o ateísmo. Como pode sustentar-se a criança, nessa situação tão difícil e díspar? É então que a graça se manifesta e ampara as criancinhas.

Mesmo intimidadas, elas não se deixavam convencer com as zombarias que a mestra lhes fazia. Por meu lado, eu lutava para destruir no espírito delas qualquer má semente que tentasse germinar, e as fazia frequentar os sacramentos. Coisa curiosa: Gertrudes, a professora, parecia adivinhar quais as alunas que tinham comungado, e eram essas as mais perseguidas. Certamente alguém espiava e lhe indicava as crianças... Mas a denúncia não vinha destas, sempre unidas e leais.

Na quarta classe havia uma menina de dez anos, chamada Ângela. Muito inteligente, muito bem dotada, era a melhor aluna da classe e da escola. As condiscípulas não invejavam a sua superioridade, porque ela tinha um coração de ouro e estava sempre pronta a ser prestativa.

Um dia, veio pedir-me licença para comungar diariamente. Perguntei-lhe:
— Tu sabes a que te expões?
Ela riu-se, numa expressão alegre, e respondeu:
— Senhor Padre, a mestra não conseguirá apanhar-me em falta, asseguro-lhe, e trabalharei melhor. Não me recuse o que lhe peço. Nos dias em que comungo, sinto-me mais forte. O Senhor Padre disse-me que eu devo dar bons exemplos. Para os dar, preciso de sentir-me forte...

As investidas contra Ângela revestiam-se de crueldade. A mestra esquecia o programa escolar, para espalhar em toda a classe as manhas dos "sem Deus". Ângela lutava sozinha, e nem sempre sabia defender-se. Então ficava de pé, muda, a cabecinha curvada, o peito cheio de soluços, que vinham morrer-lhe na garganta. Sua fé continuava inquebrantável, mas como podia aquela criança defendê-la, ante a perversidade daquela mulher?

Pouco antes do Natal, no dia 17 de dezembro, a professora inventou um estratagema cruel, com o qual pretendia dar um golpe mortal nas "superstições ancestrais" que infestavam a escola. E preparou a cena com todo o entusiasmo. Naturalmente, a pobre Ângela foi a vítima escolhida. Com voz doce, a professora a interrogou:

— Dize-me, minha pequena: quando os teus pais te chamam, o que fazes?
— Vou imediatamente — respondeu Ângela com timidez.
— Muito bem! Tu ouves chamar e vais logo, como filha bem educada e obediente. E se teus pais chamarem um limpa-chaminés, o que acontece?
— Ele vem — respondeu Ângela. O seu coraçãozinho pulava desordenadamente. Pressentia uma cilada, mas não sabia qual seria.

A professora tinha uma expressão falsa, traiçoeira, os olhos brilhavam como os de um gato que brinca com um ratinho. Mais tarde as alunas contaram-me também:
— Sentíamos medo. Ela tinha o ar tão mau, tão mau!...

O interrogatório continuou:
— Muito bem! Muito bem! Tu vens porque existes. O limpa-chaminés vem, porque existe. Ele existe!
Após um breve e deliberado silêncio, ela prosseguiu:
— Mas supõe agora que teus pais chamam a tua avó, que já morreu. Ela vem?
— Não, não pode vir...
— Bravo! Muito bem! E se eles chamarem o "Barba-Azul", ou a "Princesa de pele de burro"? Tu conheces essas histórias. Dize-me: eles vêm?
— Não, não vêm, porque só existem nas histórias.

Ângela ergueu os olhos para a mestra e baixou-os logo. Sentiu que o olhar dela a transpassava, lhe fazia mal. Mas o diálogo continuou:
— Esplêndida resposta! Parece que hoje estás mais esperta... Reparem, minhas filhas, reparem todas: os vivos, os que existem, respondem quando os chamam. Os outros não respondem, não vêm, porque não estão vivos ou porque não existem. Compreendem, não é?
— Sim! — responderam em coro.
— Agora vamos fazer uma pequena experiência — e voltando-se para Ângela, ordenou-lhe: — Sai, minha filha.
A garota hesitou. Depois levantou-se do banco, saiu, e a porta fechou-se pesadamente sobre a sua figurinha miúda.
— Agora, meninas, chamem-na!
— Ângela! Ângela! — gritaram trinta vozes de garotas, convencidas de que estavam participando de uma brincadeira, um jogo que as divertia. Ângela entrou, intrigada, sem saber o que pensar. A professora preparava-se manhosamente para saborear os frutos do seu maquiavélico plano.

— Afinal, estamos todas de acordo. Quando chamamos aqueles que vivem, que existem, eles vêm. Quando chamamos os que não existem, eles não podem vir. Ângela está aqui, viva, em carne e osso, ouviu que a chamamos e veio ter conosco. Suponhamos que chamássemos o Menino Jesus. Parece que há entre vós quem acredite nele...

Houve um silêncio, de medo talvez. E aquelas vozes tímidas responderam:
— Acreditamos!
— E tu, Ângela, crês que o Menino Jesus te ouve, quando o chamas?
Ângela sentiu-se bruscamente esclarecida. Eis a cilada que ela pressentira, mas da qual desconhecia a perversidade, e respondeu com ardente fervor:
— Sim! Creio que Ele me ouve!
— Muito bem! Façamos a experiência: as meninas viram que Ângela, quando a chamávamos, veio imediatamente. Se o Menino Jesus existe, Ele ouvirá que O chamam. Gritem todas, ao mesmo tempo e com força: "Vem, Menino Jesus!" Vamos! Um, dois, três! Vamos! Chamem!
As crianças baixaram as cabecinhas. Um silêncio pesado, angustioso, desceu sobre elas. Gertrudes soltou uma gargalhada prolongada, diabólica:
— Vamos! Eu quero que vocês O façam vir! Quero que me provem que Ele existe!... Ah! Não se atrevem a chamá-lo, porque sabem que o vosso Menino Jesus não virá!... E sabem por que não vem? Porque Ele não existe, não ouve, é como o "Barba-Azul", como a "Princesa de pele de burro", que são apenas mitos, histórias para as velhas contarem nos serões. Histórias que ninguém toma a sério!...

Intimidadas, as garotas continuavam caladas. Mas os argumentos da mestra as tinham impressionado, ferido em pleno peito. É preciso desconhecer a psicologia infantil, para não avaliar a angústia dessas crianças ante a argúcia duma mulher experiente e malévola, que executava um plano preconcebido. Em algumas a dúvida surgia, como me confessaram mais tarde.

— Sim! — insistia a mestra — se Ele existe, por que não vem?

Ângela continuava de pé, pálida como uma morta. As suas companheiras receavam, ao vê-la assim, que caísse ao chão. A professora saboreava a aflição das alunas. Enfim, triunfava e esmagava a fé naquelas pequeninas almas...

De repente, o imprevisto se deu. De um salto, Ângela atirou-se para o meio da sala. Nos olhos, tinha um clarão de esperança confiante. Olhou em volta e gritou:
— Ouçam-me! Vamos chamá-lo! Gritemos todas: "Vem, Menino Jesus!".
Num instante, todas se puseram de pé, com as mãos erguidas numa prece, os olhos brilhantes, os corações a pulsar numa imensa esperança. Num uníssono vibrante, as suas vozes se ouviram:
— Vem, Menino Jesus!
A professora não esperava esta súbita reação. Instintivamente recuou, com os olhos fitos em Ângela. Um silêncio profundo se seguiu, pesado como uma lenta agonia. Depois, de novo se ouviu aquela vozinha de cristal:
— Vamos! Chamemos mais! Gritem muito algo!
E um clamor forte, imenso, capaz de transpassar as paredes, vibrou:
— Vem, Menino Jesus! Vem, Menino Jesus!
O medo, a dúvida, por um momento jugulados, podiam renascer, mas o sentido da camaradagem deu o impulso que as reuniu em torno daquela que se revelava "chefe" e esperava o milagre. Tinham os olhos fitos, não na porta, por onde poderia entrar o Menino, mas na parede branca, em que se destacava a figurinha de Ângela, e continuavam a repetir:
— Vem, Menino Jesus!

Nesse instante a porta abriu-se sem ruído, e as crianças pensaram que toda a luz do dia entrava por ela. Era uma claridade intensíssima, que crescia, crescia, como a chama violenta dum enorme fogo. No meio desse clarão, um globo cheio de luz. O medo invadiu-as, mas nem tiveram tempo para gritar ou fugir: o globo abriu-se e apareceu um Menino lindo e risonho, como nunca tinham visto. O Menino sorria sem proferir uma palavra, e todas sorriram também, tranquilas e contentes. Algumas garotas esfregavam os olhos, para melhor contemplarem o Menino vestido de luz, outras olhavam-nO de olhos espantados, sem pestanejarem. O Menino sorria, não falava, sorria para todas.

Depois o globo fechou-se, de mansinho, e desapareceu devagar. A porta cerrou-se sem que ninguém lhe tocasse, e as crianças emocionadas, os coraçõezinhos inundados de felicidade, sem uma palavra abraçavam-se, a chorar de felicidade. O Menino as ouvira! O Menino viera!

Que tempo durara a aparição? Uns instantes? Uma hora? Cada criança calculava a seu modo, ao testemunhar a aparição do Menino. Todas diziam: "Estava vestido de branco, e parecia um sol pequenino".

As crianças olhavam ainda a porta. Subitamente, um grito agudo quebrou a emoção desse silêncio. Aterrada, olhos esgazeados, braços estendidos, mãos enclavinhadas, a professora gritava como louca:
— Ele veio! Ele apareceu!
Em seguida fugiu, batendo com força a porta.
Ângela mexeu-se, enfim, como quem desperta dum sonho:
— Vocês viram?
— Sim, vimos!
— Ele é que trazia a luz — dizia uma.
— A luz do dia é negra, comparada àquela claridade — acrescentava outra.
— Vocês viram? — repetia Ângela — Ele existe!...

O mundo inteiro já conhece este fato. Mas agora devo dar o epílogo. A Sra. Gertrudes deu entrada num manicômio. O cérebro ressentiu-se do tremendo abalo que sofreu, e não cessava de repetir: "Ele veio! Ele veio". Tentei visitá-la. Em vão, pois recusam absolutamente entrada aos padres nas casas de alienados. É que são freqüentes os casos de obsessão religiosa... Os profanadores de igrejas, em geral, acabam loucos. Todos os dias, ao celebrar a Missa, rezo por ela e por todos...

(trechos de: Maria Minovskca, in "Magnificat", Ano XVI, Nº 2, fevereiro/março de 1966 - Braga, Portugal)


quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Em Defesa da Honra da Santíssima Virgem



            Até o momento em que escrevo, não tive notícia da retirada do quadro blasfemo pintado por Richa Hamilton e exposto na National Gallery de Londres.
O quadro distorce completamente uma das obras mais conhecidas do bem-aventurado Fra Angélico, a Anunciação, na qual o arcanjo São Gabriel anuncia a Nossa Senhora que Ela seria a Mãe do Messias.
Conservando o cenário original da obra, Richard Hamilton pintou uma mulher alada completamente nua representando o arcanjo, e no lugar da Santíssima Virgem também outra mulher nua, deturpando assim sacrilegamente o sentido do quadro.

              
                Durante a Paixão, Nosso Senhor Jesus Cristo suportou todas as ofensas feitas contra a Sua divina pessoa, mas em nenhum momento permitiu que tocassem em Sua Santíssima Mãe. Entretanto não hesitou em tecer duas vezes os chicotes com os quais expulsou, cheio de cólera, os vendilhões do templo. Mal posso imaginar o que teria ocorrido ao artista Richard Hamilton se Nosso Senhor, naquele período, o flagrasse pintando o seu amaldiçoado quadro.
                É indignante para qualquer católico autêntico, e de modo especial para os consagrados como escravos de amor a Nossa Senhora segundo o método de São Luiz Maria Grignion de Montfort, ver a Mãe de Deus e nossa sendo ofendida de tal maneira a propósito do acontecimento que é o fundamento da Redenção, quando Sua Honra brilhou de maneira inexcedível.
                Ademais, a Anunciação é considerada a festa dos escravos de Nossa Senhora, pois foi a ocasião em que com profunda humildade Ela proferiu a frase: “Eis aqui a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a sua palavra”.

Outro aspecto que deve encher de indignação o coração dos católicos é a insinuação impura colocada por Richard Hamilton em seu quadro. Sabemos que Nossa Senhora, ao ser convidada para ser a Mãe do Messias, perguntou como isso daria, uma vez que Ela estava na determinação de não violar a Sua virgindade. E só aceitou depois de o Anjo afirmar que seria por obra e graça do Espírito Santo. Existe, portanto, um abismo insondável e intransponível entre a Virgem Puríssima e a mulher despudorada do pintor blasfemo.
Onde este encontrou a inspiração para tão infeliz composição? Por que tisnar aos olhos de quantos contemplem o quadro, a altíssima elevação com a qual a Anunciação brilha para os católicos? É o primeiro mistério do Santo Rosário!
Seria ele um obcecado sexual, um sexomaníaco, um sexolatra, dessa espécie de gente incapaz de ver qualquer coisa por outro prisma que não o sexual?
Além do mais é desonesto, por deformar, usando elementos idênticos, uma obra de arte de um Bem-Aventurado que a compôs com intenção absolutamente contrária.
Nenhum católico pode desejar que alguém vá para o inferno. Mas porventura não poderá ter sido este o destino do infeliz artista?
Ficaríamos alegres em saber que ele teve uma conversão profunda e se salvou – o que não é impossível, mas muito pouco provável. Neste caso, que se dirija ao Beato Fra Angélico e lhe peça perdão pelo efeito post histórico de seu quadro, e implore a Nossa Senhora que ponha fim a tal exposição e à péssima obra que produziu.
Mas caso ele tiver recusado todas as instâncias da misericórdia de Deus e morrido ímpio, a justiça de Deus há de aumentar-lhe consideravelmente os sofrimentos como paga por tão nefando quadro contra a Santíssima Virgem.

domingo, 30 de setembro de 2012


A revista Placar não encontrou outra maneira de ilustrar um fato envolvendo o jogador de futebol Neymar do que substituir, na imagem de Nosso Senhor crucificado, a cabeça do Redentor pela do jogador.


Embora a CNBB tenha protestado, o fez muito fracamente. E a revista pediu desculpas “a quem se sentiu ofendido”; mais cínica não podia ser.
Os católicos têm o dever de repudiar esse fato com uma fortíssima indignação, caso contrário ficará patente uma grande falta de amor a Nosso Senhor.
Porém há outro aspecto que precisa estar presente: estamos entrando num período de perseguição religiosa explícita, que acarretará seríssimas consequências caso, nós católicos, não reajamos à altura.
Não me refiro à indignação fanática e descabelada dos muçulmanos, mas à reação ponderada, séria, profunda e eficaz como, por exemplo, nos ensinou Nosso Senhor em Sua vida na terra.
As blasfêmias se multiplicam e nada acontece aos fautores. Coincidência?
Não seria razoável que a revista Placar fosse obrigada a fazer um desagravo a Nosso Senhor?
Por exemplo, estampar em sua capa um belíssimo crucifixo com a manchete:
Tende piedade de nós Senhor, porque pecamos contra Vós!
Seria justo.
Para com Aquele que faz e continuará a fazer Justiça com todos os homens...

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Ante a perda da terceira parte do rebanho católico


Os católicos que realmente levam a sério a prática da Religião, receberam com imensa consternação a notícia da diminuição gigantesca de irmãos na Fé.  O último censo apontou uma redução, em 50 anos, de praticamente um terço dos católicos no Brasil! Talvez já não sejamos mais o maior país católico do mundo.
Tal consternação se justifica principalmente pelo fato de que a Santa Igreja Católica Apostólica Romana ensina que fora d’Ela não há salvação. Esta verdade está inteiramente clara no Símbolo dos Apóstolos ou Credo: Credo in Unam Sanctam Catholicam et Apostolicam Ecclesiam. Creio na Igreja Una Santa Católica e Apostólica.
Ensina o Catecismo da Igreja Católica: “Fora da Igreja não há salvação: Como deve entender-se esta afirmação, tantas vezes repetida pelos Padres da Igreja? Formulada de modo positivo, significa que toda a salvação vem de Cristo-Cabeça pela Igreja que é o seu Corpo” (Parágrafo 846).
Portanto, a coerência de tal ensinamento nos leva à triste convicção de que as almas que rompem com a Igreja Católica, caso não se arrependam, correm sério risco de condenação eterna. Não nos esqueçamos, aliás, que Nossa Senhora quis confirmar a existência do inferno e a condenação das almas mostrando-o aos pastorinhos em Fátima, a 13 de julho de 1917.
Há, entretanto, outro fator preponderante para a consternação dos nossos; é o fato de os católicos estarem abandonando a Igreja por causa de uma força centrífuga autodemolidora, instalada no próprio seio d’Ela, conforme já apontou o Papa Paulo VI em dezembro de 1968.
Nossa Santa Religião está encharcada de elementos que a desfiguram inescrupulosamente vinte e quatro horas por dia, propulsionando assim, direta ou indiretamente, para a apostasia, as almas que buscam a autêntica espiritualidade da Igreja Católica.
Frustradas dentro da Igreja, decepcionadas com uma quantidade não pequena de pastores mal orientados, sentindo-se repelidas por suas apetências coerentes com a Fé, acabam se excluindo, cheias de perplexidades, em razão de sua consciência duramente violentada. Não as justificamos, estamos apenas descrevendo o fenômeno. Caberia permanecer na Igreja em estado de resistência contra os maus católicos. Mas é inegável que essas almas têm essas atenuantes.
Basta viajar pelo interior do Brasil para deparar com uma quantidade incontável de escândalos morais, litúrgicos e doutrinários que transudam numa incontável quantidade de paróquias. Fiéis perplexos, desorientados, vazios, se dispersam, como ovelhas desgarradas pelos campos, à mercê dos lobos espertos que logo as acediam com suas charlatanices, heresias e marketing pseudoreligioso.

Pobres almas remidas por Nosso Senhor Jesus Cristo. Quem tem pena delas?
Quantas autoridades religiosas só tratam de assuntos materiais e temporais, dir-se-ia que perderam a Fé. Dão palpites a propósito de tudo o que não lhes diz respeito, apoiando reivindicações sociais sempre voltadas para a esquerda, muitas vezes contrárias à doutrina e à moral da Santa Igreja; enquanto as almas se  desviam aos borbotões. “Pelos seus frutos vós os conhecereis” diz São Mateus, e os frutos aí estão. Uma diminuição enorme de católicos.
Apesar dos números reveladores e das evidências, a obstinação em caminhar pelas vias do “progressismo”, da teologia da libertação, de práticas inspiradas no protestantismo pentecostal etc., é determinada.
Será por um consciente espírito autodemolidor?
Para dar um exemplo que endossa essas considerações, a má vontade e incompreensão que sofrem vários sacerdotes desejosos de, apoiados no Motu Próprio de Bento XVI, celebrarem a Missa Tridentina.
Há sacerdotes relegados , por causa disso, a celebrar fora das cidades, em sítios distantes, em condições  materiais precárias, em sensível pobreza. Outros vivem numa perpétua insegurança sobre o que lhes pode acontecer, pelo fato de serem conservadores, desejarem celebrar o ritual tradicional e usarem batina.
Não faltam bispos que colocam toda sorte de dificuldades para permitir a celebração da Missa tradicional, que, não obstante, ganha cada vez mais adeptos.
Não será que essa tendência conservadora pode começar a recuperar o terreno perdido? Por que não favorece-la mais?
Além disso, respeitáveis senhoras são ridicularizadas publicamente até por sacerdotes durante as missas, por se apresentarem de véu para comungar. Ao mesmo tempo, moças indecorosamente vestidas recebem livremente a comunhão.
A outros se lhes nega a absolvição pelo fato de se confessarem conforme aprenderam no catecismo e não - para usar uma expressão utilizada por alguns confessores – segundo a “moda atual” de confissão na Igreja, que mais parece “um papo” do que uma acusação dos pecados.
Chegamos ao ponto de sacerdotes afirmarem publicamente: “Aqui o Papa não manda nada” etc... Conheço testemunhas de todos esses fatos.
Enquanto isso, as almas vão se esfriando, apagando, se retirando, abandonando nossa Santa Igreja. Contudo, para muitos clérigos, este fato parece não causar dor nenhuma. Continuam sua marcha demolidora da Igreja e mortal para as almas.

Serão eles realmente pastores? Aqueles que, segundo Nosso Senhor, dão a vida pelas suas ovelhas? Ou serão lobos com pele de ovelha, o sal que não salga? A pergunta fica colocada.
Imagino quanto esta situação faz sofrer os autênticos pastores de Nosso Senhor!
Em qualquer caso, independente de quantos o traiam, certíssimo é que Nosso Senhor é a cabeça da Igreja, e que Esta constitui Seu Corpo Místico. A parte humana da Igreja é sujeita a erros, mas o seu caráter divino e infalível é inatingível pela conspurcação dos seus inimigos, especialmente dos que, a partir de dentro A traem – de acordo com a constatação de Paulo VI lembrada acima.

Conforme prometeu Nosso Senhor, “as portas do Inferno não prevalecerão contra Ela”; portanto, a Santa Igreja Católica Apostólica Romana, a única Igreja verdadeira do único Deus verdadeiro, vencerá a todos que lutam contra Ela. Sejam eles quem e quantos forem.