sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Por fidelidade à Fé e ao Papado, Resistimos

O explícito apoio e estímulo dado no Vaticano pelo Papa Francisco ao Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST - Via Campesina), cujos membros são conhecidamente comunistas, invasores de terras, violentos destruidores de bens alheios legítimos, que há décadas vêm tentando realizar sem sucesso uma Reforma Agrária baseada em princípios opostos à doutrina católica, principalmente no que tange à propriedade privada, causou-me, e a muitos, uma imensa perplexidade!
Sempre fui anticomunista em razão de minhas convicções católicas. É porque católico, é em nome dos princípios católicos, que sou anticomunista. Aliás, muitos católicos são como eu.
Diante do apoio claro dado por Francisco ao ultra esquerdista Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra, nós, católicos anticomunistas, ficamos num dilema: como explicar nossa posição enquanto católicos?  Nossa atuação fica sujeita a uma objeção supremamente embaraçosa: a ação anticomunista que efetuamos não conduz a um resultado precisamente oposto ao desejado pelo Vigário de Jesus Cristo?
Resta-nos, enquanto católicos anticomunistas, cessar nossa atuação ou dar uma explicação:
Inspiro-me no profético manifesto de Plinio Corrêa de Oliveira, escrito em 1974, diante da catastrófica política de Paulo VI de distensão com os governos comunistas.
“Cessar a luta, não o podemos. E é por imperativo de nossa consciência de católicos que não o podemos. Pois se é dever de todo católico promover o bem e combater o mal, nossa consciência nos impõe que defendamos a doutrina tradicional da Igreja, e combatamos a doutrina comunista.
“O mundo contemporâneo ressoa por toda parte com as palavras "liberdade de consciência". São elas pronunciadas em todo o Ocidente, e até nas masmorras da China... ou de Cuba. Muitas vezes essa expressão, de tão usada, toma até significados abusivos. Mas no que ela tem de mais legítimo e sagrado se inscreve o direito do católico, de agir na vida religiosa, como na vida cívica, segundo os ditames de sua consciência.’
“Sentir-nos-íamos mais agrilhoados na Igreja do que o era Soljenitsin na Rússia soviética, se não pudéssemos agir em consonância com os documentos dos grandes Pontífices que ilustraram a Cristandade com sua doutrina.’
“A Igreja não é, a Igreja nunca foi, a Igreja jamais será tal cárcere para as consciências. O vínculo da obediência ao Sucessor de Pedro, que jamais romperemos, que amamos com o mais profundo de nossa alma, ao qual tributamos o melhor de nosso amor, esse vínculo nós o osculamos no momento mesmo em que, triturados pela dor, afirmamos a nossa posição.’
“Neste ato filial, dizemos ao Pastor dos Pastores: Nossa alma é Vossa, nossa vida é Vossa. Mandai-nos o que quiserdes. Só não nos mandeis que cruzemos os braços diante do lobo vermelho que investe. A isto nossa consciência se opõe.’
“Sim, Santo Padre – continuamos – São Pedro nos ensina que é necessário "obedecer a Deus antes que aos homens" (At. V, 29). Sois assistido pelo Espírito Santo e até confortado – nas condições definidas pelo Vaticano I – pelo privilégio da infalibilidade. O que não impede que em certas matérias ou circunstâncias a fraqueza a que estão sujeitos todos os homens possa influenciar e até determinar Vossa atuação. Uma dessas é – talvez por excelência – a diplomacia. E aqui se situa a Vossa política de distensão com os governos [e líderes] comunistas.
“Aí o que fazer? As laudas da presente declaração seriam insuficientes para conter o elenco de todos os Padres da Igreja, Doutores, moralistas e canonistas – muitos deles elevados à honra dos altares – que afirmam a legitimidade da resistência. Uma resistência que não é separação, não é revolta, não é acrimônia, não é irreverência. Pelo contrário, é fidelidade, é união, é amor, é submissão.

"'Resistência' é a palavra que escolhemos de propósito, pois ela é empregada nos Atos dos Apóstolos pelo próprio Espírito Santo, para caracterizar a atitude de São Paulo. Tendo o primeiro Papa, São Pedro, tomado medidas disciplinares referentes à permanência no culto católico de práticas remanescentes da antiga Sinagoga, São Paulo viu nisto um grave fator de confusão doutrinária e de prejuízo para os fiéis. Levantou-se então e 'resistiu em face' a São Pedro (Gal. II, 11). Este não viu, no lance fogoso e inesperado do Apóstolo das Gentes, um ato de rebeldia, mas de união e amor fraterno. E, sabendo bem no que era infalível e no que não era, cedeu ante os argumentos de São Paulo. Os Santos são modelos dos católicos. No sentido em que São Paulo resistiu, nosso estado é de resistência.
“E nisto encontra paz nossa consciência.
“Resistir significa que aconselharemos os católicos a que continuem a lutar contra a doutrina comunista com todos os recursos lícitos, em defesa da Pátria e da Civilização Cristã ameaçadas.
“Resistir significa que jamais empregaremos os recursos indignos da contestação, e menos ainda tomaremos atitudes, que em qualquer ponto discrepem da veneração e da obediência que se deve ao Sumo Pontífice, nos termos do Direito Canônico.”
Isso posto, recordamos aqui que Nossa Senhora nos advertiu em Fátima explicitamente contra os erros da Rússia, ou seja, do comunismo. Portanto, favorecer, estimular, encorajar, apoiar de qualquer maneira o comunismo é desobedecer frontalmente a Nossa Senhora.
Lembramos ainda a imensa quantidade de documentos pontifícios condenando o comunismo, peças do Magistério da Igreja inspiradas na coerência doutrinária bimilenar da Igreja, assistida pelo Espírito Santo, que poder algum pode ignorar ou invalidar.
Nossa atitude de Resistência é a expressão sincera e firme de nossa fidelidade inabalável a Deus, à Sua Santa Igreja e ao Vigário de Cristo na terra, abarcando todos os temas que se inserem nas circunstâncias descritas acima.
Conscientes da imensa crise que atinge a humanidade, especialmente nossa Santa Igreja, continuaremos nossa luta pacífica e legal, tendo sempre presente no espírito que, quaisquer que sejam as perplexidades que nos envolvam, manteremos nossa fé indefectível na promessa de Nosso Senhor Jesus Cristo de que as portas de inferno não prevalecerão contra a Santa Igreja Católica Apostólica Romana, Sua única Igreja verdadeira.


terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Uma carta do Menino Jesus para você

Uma freira, que está no foco da perseguição anticatólica na Síria, compôs a carta abaixo, realmente inspirada. Por recomendação de Dom Luiz, Chefe da Casa Imperial, faço chegar o texto aos leitores do Resistir na Fé ainda dentro da oitava do Natal.


Caros amigos, 

Como todos sabem, o dia de meu aniversário se aproxima. Todos os anos há uma grande festa em minha honra e eu creio que ainda neste ano a celebração vai ocorrer. 
Durante este período, todo mundo vai às compras, adquire presentes, há abundante propaganda no rádio e nas lojas, e tudo isto aumenta à medida que o meu aniversário se aproxima.
É muito bom saber que pelo menos uma vez por ano algumas pessoas pensam em mim. No entanto, noto que, se a princípio as pessoas pareciam entender e pareciam gratas por tudo o que fiz por elas, quanto mais o tempo passa menos elas aparentam se lembrar da razão desta celebração. As famílias e os amigos se reúnem para se divertir, mas eles nem sempre sabem o significado da festa.
Lembro-me que no ano passado houve um grande banquete em minha honra. A mesa da sala de jantar estava cheia de comidas deliciosas: bolos, frutas e chocolates. A decoração era magnífica e havia muitos presentes bonitos embrulhados de maneiras muito especiais.
Mas você sabe o quê? Eu não fui convidado... Em teoria eu era o convidado de honra, mas ninguém se lembrou de mim e não me enviaram um convite. A festa era em minha honra, mas quando o grande dia chegou me deixaram de fora, e eles fecharam a porta na minha cara... e ainda assim eu queria estar com eles e compartilhar sua mesa. Na verdade, aquilo não me surpreendeu, pois nos últimos anos todas as portas se fecham diante de mim. 
Como eu não fora convidado, decidi participar da festa sem fazer barulho, sem ser notado. Eu me coloquei em um canto, e observava. Todo mundo bebia, alguns estavam bêbados, eles faziam troça e riam de tudo. Eles tinham um bom momento.
Para tudo coroar, aquele homem gordo de barba branca chegou, vestindo uma longa roupa vermelha, e rindo sem parar: 'ho, ho, ho!’ Ele se sentou no sofá e todas as crianças correram em volta dele, gritando "Papai Noel! Papai Noel!", como se a festa fosse em sua homenagem!
À meia-noite, todo mundo começou a se abraçar; abri os braços e esperei que alguém viesse me apertar em seus braços e... Você sabe o que?... Ninguém veio até mim! 
De repente eles começaram a trocar presentes. Eles os abriram um por um numa grande excitação. Quando tudo tinha sido desempacotado, olhei para ver se talvez um presente havia sido deixado para mim. O que você sentiria se no dia de seu aniversário todos trocassem presentes e você não recebesse nenhum? 
     Eu finalmente compreendi que eu não era desejado naquela festa, e saí silenciosamente...
A cada ano fica pior. As pessoas só se lembram do que comem e bebem, dos presentes que receberam, e ninguém pensa em mim. Eu quereria para o Natal deste ano que vocês me deixassem entrar em suas vidas. Desejaria que vocês se lembrassem de que há mais de 2000 anos eu vim ao mundo para dar a minha vida por vocês e, finalmente, para salvá-los. Hoje eu só quero que vocês acreditem nisto de todo coração.
Como muitos não me convidaram para a sua festa no ano passado, desta vez eu vou organizar minha própria festa e espero que muitos de vocês se juntem a mim.
À maneira de resposta positiva ao meu convite, envie esta mensagem para o maior número de pessoas que vocês conhecem. Eu serei eternamente grato a vocês.
Eu amo muito vocês!

                Jesus

Embora tenha chegado com certo atraso, ainda há tempo para oferecermos alguma reparação pelas infinitas ingratidões e pecados cometidos nesses dias tão cheios de significado para os verdadeiros católicos.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Vivamos um Natal sem hipocrisia

                Mais uma vez, nos aproximamos do Natal. Outrora se dizia Santo Natal, mas chamar o Natal de Santo hoje é propriamente um disparate.
                Porque o Natal hoje é sinônimo de boas vendas, luzes frias e postas sem sentido enchem as ruas e shoppings. Balconistas esboçam sorrisos interesseiros para conquistar clientes. O grande astro é o Papai Noel, marketeiro ateu. Os brinquedos já não são inocentes, nem maravilhosos, mas reproduzem frequentemente seres horríveis da TV ou do cinema. As pessoas viajam e se largam, se desabotoam, nos ambientes ondem vivem as festas. Come-se demais, bebe-se demais, veste-se de menos, relaxam-se os costumes e as maneiras. Nada de sobrenatural, nada de elevação, nada de piedade autêntica. Excessos se sucedem nos dias de comemoração, antecedendo a frustração da volta para casa. Buscou-se em tudo o maior prazer, mas não foi encontrado. Uma sensação de fracasso invade as almas. Após a chegada em casa, a marcação de consulta ao psicólogo, ao psiquiatra, para sair da depressão.
                Sobretudo Aquele que é a razão do Natal ficou completamente esquecido. Para esses, Deus, o Salvador, o Redentor em nada lhes é sensível e está completamente ausente. São os hipócritas. Comemoram o aniversário sem dar a menor importância ao aniversariante.

                Porém, felizmente há outros que sabem como viver adequadamente a grande festa.
                Recolhidos, cheios de gratidão pela vinda do Messias, contemplam o Menino Jesus, Verbo de Deus encarnado, que dorme numa pobre manjedoura, guardado por Nossa Senhora e São José. Lembram-se esses de agradecer o bem infinito da redenção. Lembram-se que essa redenção foi a maior prova de amor que Deus pode demonstrar por suas criaturas. Sentem-se por isso felizes por pertencerem a esse Deus infinitamente bom, e procuram expressar-Lhe sua profunda união.
                Rezam e meditam, sim, mas também comem e bebem com equilíbrio, comportam-se como seres nos quais a alma predomina e rege todos os seus atos. Uma temperança mantem nos devidos limites tudo o quanto fazem. Por isso, no final, não se sentem frustrados, mas elevados; não se sentem desarranjados, mas ordenados; não se sentem tristes, mas felizes. Viveram o Santo Natal e, pelo favor de Nossa Senhora, receberam graças que os aproximaram ainda mais do seu Criador que veio ao mundo para redimi-los.

                Esse é um Natal sem hipocrisia, cheio de autêntico amor, de união e verdadeira paz. Assim devemos viver o Santo Natal.
                Desejamos a nossos leitores um Santo Natal e um Ano Novo repleto de graças que se estendam por todo 2014.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Para degustação dos mais argutos


Uma adepta entusiasta de Plinio Corrêa de Oliveira me encaminhou o artigo abaixo, o qual eu reproduzo aqui para a degustação dos espíritos mais argutos.





A Beatificação de Pio X, o campeão do antimodernismo
                                                                                                                                                     Plinio Corrêa de Oliveira




Notícias provenientes de Roma informam que o processo de beatificação de Pio X está muito adiantado, tendo entrado em sua última fase. É assim que falta apenas o último exame dos inúmeros documentos que formam o processo. Logo após será promulgado o decreto de beatificação, em data que se crê bastante próxima, isto é, em princípios de 1942.

A elevação de Pio X à honra dos altares terá um significado todo especial, na época difícil que o mundo atravessa. Muito se tem procurado deformar a fisionomia do grande Pontífice, para mostrar apenas o aspecto manso, humilde e simples, desprezando a sua energia sem limites, a sua decisão inflexível, o seu zelo heróico e inquebrantável pela pureza da doutrina. Chegam mesmo a fazer de Pio X a figura de um bonachão simplório, ao agrado dos liberais, dos desfibrados e dos sentimentais.

Contudo, no santo Pontífice é preciso não separar, nem preterir uma a favor de outra, as duas qualidades, que são, aliás, as qualidades de todo e qualquer bom católico: a suavidade e a fortaleza. Suavidade, que não deve ser a pieguice mórbida das sensibilidades descontroladas, mas que é antes de mais nada o domínio absoluto da razão sobre as paixões, sobre as idiossincrasias, sobre os afetos, sobre todos os movimentos da parte inferior da natureza  humana. Fortaleza, que não deve ser a brutalidade estúpida dos bandidos e dos tiranos, mas a determinação inabalável de cumprir o dever, custe o que custar. E assim Fortaleza e Suavidade não se excluem nem se opõem, mas se completam e se harmonizam.

Pio X realizou maravilhosamente, em sua vida, a síntese destes dois aspectos do Catolicismo. Acolhedor e afável para os bons e os verdadeiramente arrependidos, foi o martelo inexorável das heresias, não regateando os golpes com que feriu os propagandistas do erro. E é este mesmo Papa doce e amável quem acumula, em suas encíclicas, as expressões duras e contundentes contra os semeadores da mentira e da discórdia. E ainda aí havia suavidade, a inenarrável suavidade do pastor que, por amor de suas ovelhas, acomete corajosa e intrepidamente, sem cuidar de si, a matilha dos lobos esfaimados.

As taras acumuladas durante o século XIX vieram abrolhar neste tumor maligno do modernismo, feito de impressionismos vagos, de exaltações suspeitas, de sentimentalismos  adocicados, de um filantropismo naturalista e de um irracionalismo sensualista. Mas, sobretudo, o modernismo, por sua própria natureza, se apresentava com esta nota inédita: era a primeira heresia que não abria luta declarada contra a doutrina oficial, mas se confundia habilmente em manejos tortuosos, procurando aninhar-se jeitosamente no seio da Igreja.

Pois bem. Foi Pio X quem, de espada em punho, saiu a desentocar a serpente, para tocá-la donde ela não queria sair.
Entretanto, embora ferido de morte, o modernismo ainda continua a existir por aí, procurando sempre empestar os ambientes católicos. Certas mofas, que de vez em quando se ouvem, contra o raciocínio discursivo e contra o valor da apologética, não tem outra origem. Certo gongorismo intelectual, que consiste em jogar jeitosamente com o valor das idéias, burlando-lhes o sentido tradicional, tudo consistindo em divagações imprecisas, cheias de vaidade e pobres de verdade, com aparências de profundidade, e não passando de escamoteação, também vem daí. Esta incoerência em que se diluem os conceitos mais elementares, que se pode notar tantas vezes, ainda é modernismo. E, principalmente, tanto
laxismo, que corre mundo sob capa de caridade, não passa de autentico modernismo.
Portanto, nada mais a tempo que a próxima beatificação de Pio X, a fim de que as virtudes do grande Papa sejam um estímulo e exemplo para os que combatem os erros da era presente. 
Legionário, n° 488, 18 de janeiro de 1942, pág. 1


Quanta conclusão a tirar desse artigo de 1942, mas tão atual...












segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Um Papa é sempre infalível? Pode ele errar?


Um Papa é sempre infalível? Pode ele errar?
Várias pessoas perplexas e preocupadas me tem perguntado. Nada mais natural. Encontrei uma explicação magistral em um número da Revista Catolicismo de Novembro de 1976, que é muito segura e não deixa margem a dúvidas.
Como a artigo é extenso, publico apenas um resumo, colocando-me à disposição para envia-lo completo a quem o desejar. Os sublinhados e destaques são meus.

A Infalibilidade da Igreja
I - Introdução
Paulo VI lamentou as ambiguidades que surgiram na Igreja, após o Concílio, perturbando a consciência de muitos fiéis e extenuando o vigor da Fé. Podemos ver nessa constatação um efeito da “fumaça de Satanás”, que poluiu os ambientes eclesiásticos, e um dos meios de autodemolição da Igreja, ou seja, de uma destruição por elementos que nEla se encontram instalados.
Para esclarecimentos de nossos leitores sobre a matéria, resumimos aqui um substancioso artigo da revista belga Mysterium Fidei (nº 33 de julho de 1976).
II - A Infalibilidade
Na locução de 18 de setembro de 1968, por ocasião da audiência geral de Castelgandolfo, Paulo VI insistia sobre o cuidado em procurar a informação exata e completa. Tal recomendação aplica-se também às definições da Santa Igreja. É indispensável conhecer todo o alcance do ensinamento do Magistério, dentro, porém, sempre do âmbito delimitado pelo mesmo Magistério.
Semelhante cuidado se impõe também quando se trata da infalibilidade pontifícia. — É exato que o Papa é sempre infalível?
III - O texto da definição
Com efeito, o texto da definição deste dogma de nossa Fé não pede que o objeto do ensinamento seja assunto de Fé ou Costumes. Impõe ainda outras condições. Ei-lo na sua clareza e precisão: “O Romano Pontífice, quando fala ex cathedra, isto é, quando, no desempenho de sua função de Pastor e Doutor de todos os Cristãos, define, em virtude de sua suprema autoridade apostólica, que uma doutrina concernente à Fé ou aos Costumes deve ser aceita por toda a Igreja, goza, graças à assistência divina, a ele prometida na pessoa de São Pedro, daquela infalibilidade da qual quis o Divino Redentor fosse dotada a sua Igreja ao definir uma doutrina sobre a Fé ou os Costumes; assim, tais definições são por si mesmas irreformáveis, e não pelo consentimento da Igreja(1) (destaque nosso).
IV - Magistério extraordinário
Semelhantes atos pontifícios constituem a expressão do seu “Magistério extraordinário” (ou solene), isto é de sua Autoridade docente de Príncipe dos Apóstolos, excepcionalmente afirmada sobre toda a Igreja, dentro das condições de sua estrita competência, com termos de uma precisão canônica, impondo-se à consciência católica e excluindo toda possibilidade de ulterior mudança.
V - O modo de definir
A garantia de autenticidade destes atos solenes não reside no luxo do aparato exterior. Para uma definição, o Papa poderia utilizar igualmente uma Encíclica, uma Radio-mensagem, como um Breve ou uma Constituição Apostólica. Ele permanece livre de escolher o modo de expressão que julgar mais oportuno. (2)
Porquanto, basta — mas é absolutamente necessário que o Papa proceda conforme as condições requeridas, dogmaticamente definidas, para que um ato ex cathedra tenha sua existência objetivamente comprovada como infalível, sem lugar a dúvidas.
“Como o uso constante da Igreja e dos Soberanos Pontífices consagra certas fórmulas, para assinalar sem possibilidade de dúvida, a toda a Cristandade, o julgamento supremo definitivo [...], segue-se que, se o Papa negligência tais fórmulas e não exprime claramente que, apesar desta omissão, entende ele e deseja definir como juiz supremo da Fé, deve-se pensar que não exprimiu seu julgamento como infalível(3) (destaque nosso).
VI - “De si e não pelo consentimento da Igreja”
É preciso evitar o pensamento de que o carisma da infalibilidade é totalmente independente da Igreja. Pessoal embora, e possuindo um valor independente do consentimento da Igreja, não está ele desvinculado da Igreja, uma vez que o Romano Pontífice o possui precisamente enquanto chefe da Igreja e na sua função de doutor e pastor dessa Igreja. Recusando-se a ver no consentimento da Igreja, a fonte da infalibilidade pontifícia, o Concílio do Vaticano, absolutamente não quis dizer que o Papa — aliás, órgão da Tradição — deveria no exercício do seu Magistério infalível prescindir do contato estreito com o sensus Ecclesiae. (4)
VII - Magistério Ordinário
Além do Magistério extraordinário, solene, exerce o Papa um Magistério ordinário.
Sem dúvida, distintos, seria erro grave opor Magistério solene e ordinário, segundo as categorias muito simplistas de infalível e falível, (5) uma vez que, seja qual for a via pela qual nos chega a Doutrina, esta é sempre infalivelmente verdadeira, quando certamente ensinada pela Igreja inteira, ou somente pelo seu Chefe. Contudo, enquanto no Magistério solene a garantia pode nos ser dada pelo julgamento de um só, tomado à parte, no ensinamento ordinário ela só pode provir de uma continuidade e de um conjunto. Fora dos julgamentos solenes, a autoridade das diversas expressões do ensinamento pontifício comporta degraus e matizes. Todos, não obstante, se integram autenticamente nessa Tradição contínua e sempre viva, cujo conteúdo não poderia estar sujeito a erro sem que periclitassem as promessas de Jesus Cristo, e a própria economia da instituição da Igreja. (6)
VIII - O Magistério e a Tradição
Assim, o critério para se avaliar um ensinamento isolado, é relacioná-lo com o ensinamento, continuado através dos séculos, verificado em toda a Igreja.
Continuidade. — Ensina Pio XII: “Desde os tempos mais remotos, encontram-se diversos testemunhos, índices ou vestígios que manifestam a Fé comum da Igreja no decurso dos séculos”. (7) A mesma conclusão emerge do costume habitual dos Papas, pois, percorrendo as Atas dos Pontífices Romanos, pode-se perceber o cuidado que tiveram eles em citar, a propósito de cada problema, as decisões de seus predecessores e de se situar, através de suas múltiplas referências, no conjunto da Tradição.
XIX - Alguns exemplos históricos
Bem examinada a definição da infalibilidade, proclamada no I Concílio do Vaticano, vê-se que o exercício do magistério pessoal infalível, considerando-se seu campo e suas condições, não atinge todos os atos pontifícios, como também se evidencia que “não será preciso crer que a infalibilidade abarca todos os domínios da atividade pontifícia. É isso de tal modo verdadeiro, que os teólogos estudam o caso de um Papa escandaloso, de um Papa herético, de um Papa cismático... Resulta, aliás, que os casos nos quais a infalibilidade pessoal do Papa está engajada são marcadamente raros. Quanto ao Concilio Vaticano II, Paulo VI, formalmente, excluiu-o do magistério infalível. Eis suas palavras: “Dado seu caráter pastoral, o concilio evitou pronunciar, de maneira extraordinária, dogmas dotados de nota da infalibilidade”. (10)
Alguns exemplos históricos ilustram a doutrina exposta. (omitidos por brevidade)
XX - Conclusão
Como se viu, é na medida de sua conformidade com a Tradição católica que transmite o Depósito da Fé, que os atos do Magistério da Igreja podem ter um valor de inerrância, quer se trate do Magistério supremo, solene, quer do Magistério ordinário. Os casos aduzidos mostram bem que, embora Soberano Pontífice, o Papa, não é impecável, nem pode erigir-se em proprietário supremo da Religião. Ele é um administrador, (16) que há de se ater a determinadas normas no exercício de seu mandato. São Paulo as aponta:
— “Guardar o Depósito da Fé” (I Tim. 6,20);
— “Transmitir, antes de tudo, o que recebeu” (1 Cor. 15,3);
— “Edificar e não "destruir” (2 Cor. 10,8);
— “Guardar as Tradições” (2 Tes. 2,14);
— “Manter-se afastado de todo irmão que vive na desordem sem seguir a tradição recebida” (2 Tes. 3,6);
— “Mostrar-se fiel” (1 Cor. 4,1-2).
A razão é que os Bispos e o Papa, sucessores dos Apóstolos e do Príncipe dos Apóstolos, São Pedro, têm uma missão determinada pela constituição divina da Igreja. Pois esta deve conduzir os homens a Deus, a fim de que eles se entreguem ao Criador sem reservas... A Igreja não pode jamais perder de vista esta finalidade estritamente religiosa, sobrenatural (17). E a maneira como a Igreja realiza esta sua finalidade sobrenatural é indicada pela mesma Revelação. Daí a obrigação de seguir a Tradição, segundo a frase de São Paulo aos Gálatas, aplicada aos Bispos por Paulo VI: Se eu ou um anjo do Céu vos evangelizar diversamente do que vos foi evangelizado, que seja anátema (1,8)”. (18)
____________________
NOTAS
1.    Vaticano 1, Const. Pastor Aeternus.
2.    São Pio X, Const. Apost. Promulgandi, de 29 de setembro de 1908.
3.    Gregório XVI, Il trionfo della Santa Sede, Veneza, 1838,
4.    R. Auberi, Va. I, col. Hist. des Conciles, Docum. Nº 12, Paris, 1964, pp. 292-298.
5.    D. Nau, OSB, Le Magistère pontifical ordinaire, lieu teologique, Solesmes, 1956, Club du Livre Civique, 1962,
6.    Ibidem.
7.    Const. Apost. Magnificentissimus, A.A.S. 42. 1950, p. 757.
8.    Vaticano 1, Const. Dogm. Pastor Aeternus, 18 de jutho de 1870,
9.    São Vicente de Lérins, “Commonitorium, 2, 5”, in Kirch, “Enchiridion Fontium Historiae Ecclesiasticae Antique”, 742,
10.  Marquês de la Franquerie, L’infalibilité pon tificale, le Syllabus, la condamnation du Moddernisme et la crise actuelle de l'Église, Chiré-en-Montreuil, 1973, p. 35.
11. Denziguer-Schmetzer, Enchiridion Symbolorum et Definitionum, n° 980.
12. Ludovico Pastor, Istoria dei Papi, Desclé de Brouwer, vol. IV, p. 418.
13. Suma Teológica, 2.2, q. 104, a.5.
14.  Mangenot Vaccant e Michel Amant,   Dictionaire de Theologie Catholique, vol. 14, coluna 1918 e ss.
15.  Christian Order, vol. 16, n° 12, dezembro de 1975. art. "Roberi Grosseteste: Pillar of the Papacy". colunas 722-723.
16. Th. 1, 7-9.
17. Pio XII, Alocução de 6 de março de 1956.

18. Exortação por ocasião do primeira lustro após o encerramento do Concílio. 

sábado, 21 de setembro de 2013

O Papa Francisco e os conservadores desconcertados




Desconcertado, eu também, com notícias recentemente publicadas na mídia e preocupado com seu efeito desestimulante sobre os católicos conservadores, busquei uma poltrona para espairecer. Peguei uma coleção de escritos de Dr. Plinio Corrêa de Oliveira e me deparei com o profético artigo escrito na Folha de S. Paulo em 1° de novembro de 1970. Incrível como me esclareceu.  
Tenho presente que toda metáfora claudica, mas isso não impede o recurso didático a ela.
Bastou atualizar os fatos, que o discernimento se mostrou inteiramente atual. Para que possam avaliar bem, as palavras dele eu as colocarei em itálico, as adaptações são minhas.
“Entre lobos e ovelhas: novo estilo de relações”
“Quanto mais caminham os fatos, mais desconcertam um setor — que creio [nada desprezível] — da opinião católica.
“Tal desconcerto, é preciso que se diga, não decorre apenas da ação ou das omissões de tantas autoridades pequenas, médias e altas da sagrada hierarquia. Ele sobe ainda mais.
“Oxalá alguém me convencesse de que são falsos os fatos meridianamente claros a meu ver, em que me baseio para fazer esta afirmação.”
Refiro-me à carta enviada pelo Papa Francisco aos muçulmanos parabenizando-os pelo término do Ramadan, que desconcertou não só a mim, mas católicos do mundo inteiro.
No dia 2 de agosto, o papa enviou uma carta, escrita de próprio punho e amplamente publicada da qual, por brevidade, extraio apenas o seguinte: “Este ano, o primeiro do meu Pontificado - escreve o Papa Francisco - decidi assinar eu mesmo esta mensagem e enviá-la a vocês, queridos amigos, como expressão de estima e amizade por todos os muçulmanos, especialmente aos líderes religiosos”.
 Ora, nós católicos estamos nauseados pelas inúmeras notícias de perseguição aos cristãos no Egito, Paquistão, Síria etc.

Padre Francisco Murad martirizado pelos muçulmanos
Cabeça decepada do Padre Francisco
 











O Padre Francisco Murad foi degolado terrivelmente, duzentas moças cristãs estão sequestradas e serão estupradas até a morte; Ainda hoje recebi as fotos abaixo provenientes também da Síria.




 

[Fotos acima: Menina também teve sua cabeça cortada pelos muçulmanos por ser cristã]
Como não ficar desconcertado com a cordialidade demonstrada para com esses perseguidores? E mais, para os perseguidos nenhuma palavra!
Tudo quanto acabo de dizer são fatos publicados na mídia ao alcance de qualquer um.
*  *  *
Outra questão é o avanço do aborto no Brasil. Ainda durante o “eco” da JMJ, foi sancionada uma lei que favorece enormemente a liberação do aborto no Brasil.
E então, como não ficar desconcertado? Teria bastado uma só palavra do Sumo Pontífice, e essa palavra foi implorada por milhares de católicos através de um abaixo assinado ao Arcebispo do Rio de Janeiro, para que essa lei assassina fosse barrada. Tal palavra teria evitado a sanção da lei.
A História dirá que, essa palavra, o Santo Padre não a pronunciou, e por isto o aborto obteve um forte avanço no Brasil. É terrivelmente doloroso dizê-lo. Mas é evidente.
Para nós católicos, como coadunar tal atitude com as seguintes palavras de João Paulo II?
“O aborto a eutanásia são, portanto, crimes que nenhuma lei humana pode pretender legitimar. Leis desse tipo não só não criam obrigação alguma para a consciência, como, ao contrário, geram uma grave e precisa obrigação de opor-se a elas através da objeção de consciência. ...No caso de uma lei intrinsecamente injusta, como aquela que admite o aborto ou a eutanásia, nunca é lícito conformar-se com ela, nem participar numa campanha de opinião a favor de uma lei de tal natureza, nem dar-lhe a aprovação do próprio voto. (Enc. Evagelium Vitae, 72)
Não bastasse isso, vejamos o que saiu no site da Veja essa semana:
Em uma extensa entrevista a uma revista jesuíta publicada nesta quinta-feira, o papa Francisco criticou o que classifica como "obsessão" dos clérigos em pregar contra o aborto e o casamento gay - e afirmou: a Igreja Católica não tem o direito de interferir espiritualmente na vida dos homossexuais. "A Igreja deve ser uma casa aberta a todos, e não uma pequena capela focada em doutrina, ortodoxia e em uma agenda limitada de ensinamentos morais", afirmou o pontífice.”
E há ainda a questão dos ateus, dos divorciados, do celibato...
Aqui também faço minhas as palavras do Dr. Plinio.
 “Os fatos em que fundo minhas apreensões são por demais claros para que possam ser abafados pelo berreiro de protestos vazios, por atos de reparação ressentidos, mas falhos de qualquer base na realidade, por estrondos publicitários ou campanhas de cochicho.
“Católico apostólico romano, eu o fui durante toda a minha vida. Sou-o, hoje, com maior convicção, energia e entusiasmo do que nunca. E, espero, pela graça de Deus e pela intercessão de Nossa Senhora, que o serei mais e mais até o último alento. Por isto, tributo do fundo de minha alma, ao Sumo Pontífice e à Santa Sé, toda a veneração, todo o afeto e toda a obediência que lhes devo segundo a doutrina e as leis da Igreja.
“Mas sei que, posto diante de fatos claríssimos, não os posso negar, nem deixar de perceber suas consequências.
E sei também que, ainda quando admitidos os fatos irrecusáveis que acabo de enumerar e analisar, tudo quanto a Igreja ensina sobre a infalibilidade e a suprema autoridade dos sumos pontífices continua inteiramente intacto. Assim, estou com a consciência à vontade ao tratar, como católico, do triste e delicado assunto.”
Pergunto: Desejará o Papa Francisco, para o mundo católico, um "modus vivendi" com os mais irredutíveis inimigos da civilização cristã e da Igreja Católica? “Fico a pensar... e enquanto penso, me vem à mente uma fábula de La Fontaine. Infelizmente, é das mais esquecidas. Mas é também das mais oportunas.
“Depois de mil anos e mais de guerra declarada,
os lobos fizeram a paz com as ovelhas.
Era, aparentemente, a felicidade dos dois partidos:
Pois, se os lobos comiam muita rês extraviada,
os pastores, da pele deles [dos lobos], para si faziam muitos trajes.
Jamais havia liberdade, nem para as pastagens [porque as ovelhas eram devoradas],
nem, de outro lado, para as carnificinas [porque os lobos eram caçados]:
Não podiam usufruir de seus bens senão tremendo.
A paz se concluiu, portanto; trocam-se os reféns:
Os lobos entregam seus lobinhos; e as ovelhas, seus cães [os cachorros que as guardavam].
Sendo a troca feita nas formas habituais,
e ajustada por comissários [representantes de ambos os lados].
Ao fim de algum tempo, quando os senhores lobinhos
se viram lobos perfeitos e ávidos de matança,
valem-se do tempo em que, no redil,
os senhores pastores não se achavam,
estrangulam metade dos cordeiros mais gordos

agarram-nos com os dentes e se retiram para os bosques.
Haviam eles avisado sua gente secretamente.
Os cães, que, sob a palavra deles, repousavam confiadamente,
foram estrangulados dormindo.
Foi isto feito tão rapidamente, que os cães mal sentiram;
foram todos feitos em pedaços; nem um só escapou.
Podemos concluir disto
que é preciso fazer aos maus guerra sem quartel.
A paz é bastante boa em si mesma;
concordo: mas de que serve ela
com inimigos sem palavra?”
                Termino ainda com as mesmas palavras de Dr. Plinio.
“Da luminosa fábula se deduz que qualquer combinação da Igreja com os inimigos dEla não poderá ser um "modus vivendi", mas um "modus moriendi".


domingo, 16 de junho de 2013

Comunhão na mão, falsa solução e falta de Fé

A finalidade da Igreja é a salvação das almas, fazendo para tal o uso adequado dos sacramentos. Nosso Senhor fundou-a para santificar as almas e prepará-las para o Céu.
Detentora do poder sobrenatural legado diretamente a Ela pelo Salvador, são incontáveis ao longo dos séculos as intervenções do clero – cônscio dos seus deveres – implorando a Deus a cura de epidemias, a suspensão de catástrofes, a pacificação de guerras etc., promovendo para tanto atos em que a Fé dos fiéis atraia de Deus a misericórdia, o perdão e a solução dos problemas. Afinal foi Nosso Senhor quem disse: Se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a esta amoreira: Arranca-te e transplanta-te no mar, e ela vos obedecerá” (São Lucas 17,6).


Portanto, nos casos em que o povo é acossado por infortúnios, cumpre ao clero afervorar sua fé e aproximá-lo mais de Deus, promovendo boas confissões, atos de piedade, vigílias, procissões etc. Um povo assim comove a Deus e atrai a Sua misericórdia. Ora, inexplicavelmente, não é o que está acontecendo.
Vem se alastrando pelo interior do Estado de São Paulo - pelo menos -, a instrução de alguns bispos que impede aos sacerdotes darem a Sagrada Comunhão na boca dos fiéis, pelo risco de contágio do vírus H1N1.

Imaginar que a Sagrada Eucaristia, que é Cristo REALMENTE PRESENTE, possa ser veículo de um vírus contagioso é no mínimo falta de Fé neste sacramento.

Se o clero pregasse com zelo que o vírus se propaga muito mais através das incontáveis ocasiões em que as relações imorais, e portanto pecaminosas, acontecem - e em número incalculável; e se apontasse que as relações pecaminosas estimuladas pelos programas das televisões, pelas modas indecentes, pela promiscuidade dos mais variados ambientes, constituem uma forte causa de contagio para os católicos, como o clero acertaria mais no objetivo de evitar o contágio. 


Sobretudo se ensinasse a verdadeira doutrina católica que afirma ser o pecado muito mais grave que uma doença física o qual, uma vez evitado, traria como consequência a saúde física. Mas, por incrível que pareça, em não poucas igrejas não se ensinam mais as verdades da sã doutrina.

Outro exemplo de estarrecer foi, há não muito tempo atrás, a norma dada por um bispo induzindo o seu clero a substituir na consagração das missas o vinho por suco de uva. Motivo? Pasmem os católicos que têm fé: para os padres não sofrerem as consequências da lei seca, caso caíssem em alguma blitz após celebrarem. Ora, é sabido que com suco de uva não há a transubstanciação, portanto, não há Eucaristia. Mais uma vez, com a maior naturalidade, se aprovou um afastamento não pequeno em relação a Deus.
Felizmente há no clero verdadeiros heróis que têm coragem de pregar a moral de sempre e com isso evitam consideravelmente os contágios em suas paróquias. Sabem eles que o melhor remédio contra o H1N1 é a prática da virtude da pureza. Sobretudo são sacerdotes que inculcam a Fé Católica autenticamente. Felizes suas ovelhas, pois são livres de contágios de doenças físicas e espirituais!
Em contrapartida há um número não pequeno de clérigos que agem como se não tivessem Fé, em prejuízo de uma multidão incontável de ovelhas sob sua responsabilidade.
“A quem muito foi dado, muito será pedido” (Lc 12,48).
O que acontecerá quando Nosso Senhor, no juízo particular e no final, cobrar aos pastores onde estão as almas remidas pelo Seu Preciosíssimo Sangue?