domingo, 10 de janeiro de 2010

Um código para quem "tem" alma

Em 5 de janeiro p.p. a Folha de São Paulo publicou, na coluna de Rubem Alves a seguinte texto de Octávio Paz intitulado: Os dois tempos


"Todos os dias atravessamos a mesma rua ou o mesmo jardim; todas as tardes nossos olhos batem no mesmo muro avermelhado, feito de tijolos e tempo urbano. De repente, num dia qualquer, a rua dá para outro mundo, o jardim acaba de nascer, o muro fatigado se cobre de signos. Nunca os tínhamos visto e agora ficamos espantados por eles serem assim: tanto e tão esmagadoramente reais. Não, isso que estamos vendo pela primeira vez já havíamos visto antes. Em algum lugar, no qual nunca estivemos, já estavam o muro, a rua, o jardim. Parece que nos recordamos e quereríamos voltar para lá, para esse lugar onde as coisas são sempre assim, banhadas por uma luz antiquíssima e ao mesmo tempo acabada de nascer. Nós também somos de lá. Um sopro nos golpeia a fronte. Estamos encantados, suspensos no meio da tarde imóvel. Adivinhamos que somos de outro mundo".

Confesso que ao ler o texto acima me senti consolado. Há gente hoje em dia que capta essa mensagem especial que são os tesouros inestimáveis da tradição.

É ou não é verdade que sem tradição não há vida, não há sonho, não há poesia?

Querem a prova mais palpável disso?

Basta postar-se, por exemplo, numa mesinha de bar na calçada da Av. Paulista e ficar analisando as pessoas que passam.

Que vazio! Que frieza! Que alienação!

Corre corre, interesses materiais, aflições, angústias depressões... É comum.

“Graças” à televisão, à internet, ao marketing etc. as pessoas se esqueceram que têm alma. Esquecendo-se que têm alma, desligaram-se da maior fonte de alegria e de felicidade que, paradoxo, levam dentro de si.

O sensual busca a felicidade na exacerbação da sensualidade, o materialista no acúmulo de dinheiro, o esquerdista nas teorias atéias igualitárias, o padre moderno no social abandonando o espiritual e daí para fora. Todos fracassam.

A felicidade está em saber ler a mensagem autêntica que as coisas portadoras de valores nos revelam e viver em consonância com tais valores.

Não é supérfluo lembrar que os valores autênticos são os valores divinos, reflexos da infinitude de Deus, de Sua graça, de Seu poder, de Seu direito de ser conhecido, amado e servido por todos os homens Suas criaturas.

O que não é isso, diz Santa Teresa: "...não passa de ilusão e aflição de espírito".

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

No Natal, não expulse o Aniversariante...


Todos se preparam para o Natal.

O que comprar, o que comer, para onde ir, que

presentes dar, que presentes ganhar.

A cidade se enche de luzes, de Papais Noéis, de propagandas e promoções. As lojas ficam repletas, o comércio regurgita, o povo se agita.

Busca-se antes de tudo o prazer. Prazer da comida e da bebida; prazer do relaxamento completo onde se patenteiam a falta de compostura, o desmazelo, o semi nudismo, o pecado. Para dizer numa só expressão, busca-se o prazer no maior grau possível, excessivo, descontrolado, abusivo.

O grande astro desse Natal é o Papai Noel, símbolo do amigão presenteador, agente de marketing, ateu e materialista.

Terminado o Natal, o que fica é uma imensa frustração, uma ressaca que é mais espiritual do que física. Sobretudo, fica cometida uma imensa ingratidão, uma imensa injustiça!

Por quê? Porque o dono da festa ficou do lado de fora, foi expulso... Pior foi expulso dos corações!

Natal quer dizer nascimento. Nascimento de quem?

Do Menino Jesus, o Homem-Deus, que veio nos remir e conquistar o céu para cada um de nós. O mundo inteiro comemora o Natal porque, em razão da grandeza transcendental do acontecimento, ele marcou profundamente o gênero humano, tão importante é para cada um conseguir a salvação eterna.

Mas, a presença do Menino Jesus nas comemorações do seu próprio aniversário tornou-se desagradável em nossos dias. Por quê?

Não por causa de sua bondade e misericórdia, que a todos interessa, mas por causa de sua majestade, de sua seriedade, de sua grandeza, de sua pureza, que desagradam o homem superficial, largado e sensual de nossos dias.

No Natal, não expulse o aniversariante, mas coloque-o no centro da festa, no centro das atenções, especialmente no coração e pense o quanto isso é justo, pois Ele é Deus, deu a vida por nós e nos mantém todo o tempo.

Feito isso, todos os demais aspectos das comemorações natalinas acontecerão como devem, e não haverá frustração, nem pecado...

O seu Natal será um símbolo de gratidão e reconhecimento; será pleno de bênçãos.

O Menino Jesus é o verdadeiro centro das comemorações do Natal.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Gripe Suína, Comunhão na mão e crise de Fé

Um amigo de há muitos anos, querendo de algum modo aliviar-me uma prolongada convalescença, deu-me de presente um álbum que lhe pareceu interessante.
Ele acertou. Realmente é muito bonito e portador de uma bela lição.
Trata-se de uma publicação da catedral católica grego melquita de São Paulo que contém, magníficamente ilustrado, um hino especial a Nossa Senhora Mãe de Deus datado do século IV com um nome pouco sonoro a nossos ouvidos: Akathistos.
Logo no início lê-se a seguinte narração:
“O Imperador Herácleios estava numa expedição marítima, em luta contra a agressão dos persas à cidade de Constantinopla. O cerco durava já alguns meses, e era evidente que suas tropas estavam em desvantagem.
“Quando as tropas da ‘Rainha da Cidade de Constantinopla’ (nome atribuído pelo povo bizantino à Mãe de Deus), estavam chegando ao desespero, a Fé do povo buscou o impossível.
“O Venerável Patriarca Sérgios, acompanhado de todo o povo, marchou ao longo da grande muralha de Constantinopla com um ícone da Mãe de Deus na mão, reforçando a certeza de que a vitória estava na libertação que vem do Alto.
“Inesperadamente, uma grande tempestade, com enormes maremotos, destruiu a maior parte da frota inimiga, que foi forçada a desistir da invasão, afastando-se definitivamente.
“Os fiéis de Constantinopla, então, espontaneamente lotaram da igreja de Theotokos (Mãe de Deus) e, todos em pé, cantaram, durante toda a noite, hinos de gratidão e louvor...”
Fatos como esse pululam ao longo de toda a história da Igreja Católica. Aliás, de passagem, nunca ouvi dizer da existência de algum livro editado por qualquer uma das falsas religiões – que hoje são uma verdadeira pandemia - com narrações de ajudas sobrenaturais, sobretudo desse porte.
O fato que se deu em Constantinopla no século VII trouxe-me à mente a seguinte cogitação:
Antigamente catástrofes, pandemias, guerras etc., eram afastadas por força de atos de Fé na ajuda onipotente de Deus.
Orações, penitências, conversões, promessas acabavam aplacando a Deus e alcançando grandes misericórdias.
E acabava ficando claro que Deus permitia a ameaça visando exatamente corrigir algum pecado social, maus costumes, relaxamento com relação aos Seus Mandamentos etc. tendo como meta a conversão e salvação das almas daquele povo.


Sobretudo, os Seus ministros, continuadores dos Apóstolos, eram céleres em aproveitar a ocasião e promover a melhora espiritual do povo para aproximá-lo cada vez mais de Deus, que, agindo assim mostrava, no fundo, Seu imenso amor pelo povo.
Por que não de vêm coisas dessas com relação à gripe suína?
O mundo inteiro está tratando como uma catástrofe de grande perigo.
Aliás não me lembro de ter visto nem com relação à gripe aviária, nem com relação à AIDS, nem com relação às ameaças ecológicas tão alardeadas pelo mundo...
Pelo contrário, em muitas igrejas foi imposta uma norma que não só abstrai da Fé no poder do Santíssimo Sacramento criando um receio de contágio na hora da comunhão, como é contraditória em relação às próprias normas dadas pelos órgãos de saúde. Os celebrantes exigem que se comungue na mão. E há até a negação do Sacramento a quem não aceitá-lO na mão.
Ora, tem sido recomendado aos quatro cantos lavar as mãos muitas vezes ao dia, pois é por onde há mais risco do vírus passar de fora para dentro da pessoa.
Sabemos que o sacerdote tem o dever de lavar as mãos antes de celebrar a Missa, mas os fiéis que chegam da rua, após pegarem em toda sorte de objetos, cumprimentarem incontáveis pessoas, pegarem no dinheiro para dar na coleta etc., não têm como fazer a higiene das mãos. Tornam assim as suas mãos os mais prováveis veículos dos vírus.
Mas, o mais grave é o outro aspecto.
Sejamos objetivos. Sem julgar as pessoas que a impõem, uma norma dessas é própria de quem não tem Fé sobrenatural, ou a tem muito pouca, e acaba favorecendo uma desconfiança do poder de Deus que contribui para um afastamento interior com relação à Presença Real de Nosso Senhor, ao invés de aproximar o povo do Santíssimo Sacramento.
Fica subentendido que o próprio Santíssimo Sacramento pode acabar sendo veículo de doença...!!! Uma contradição direta com a Fé no Seu poder!
Por que, em nossos dias tão carregados de problemas gravíssimos, o povo católico não tem sido movido a grandes atos de Fé com petições a Deus, com pedidos de perdão, com promessas de conversão etc.?
Fé o povo tem. Vemos em Lourdes, em Fátima, em Aparecida do Norte e em muitíssimas ocasiões. Vemos o povo rezar por si e pelos seus, pelas suas angústias pessoais. Mas ninguém os move a pedir por razões maiores e realmente de grande importância. Como isso robusteceria a Fé, a própria Igreja, a virtude, os costumes etc.
Mas para isso é preciso ter Fé.
Será que presenciamos uma crise de Fé em largas esferas do clero?
Lembro-me do que a Irmã Lúcia escreveu no final da segunda parte do Segredo de Fátima, uma frase insinuando a terceira parte e que até hoje carece de explicação:
“Em Portugal se preservará sempre o dogma da Fé...”
Estudiosos comentaram que, com toda certeza, haveria no futuro uma tão grande crise de Fé no mundo, que merecia especial menção o fato da Fé ser preservada em Portugal.
Estaremos nisso?!...

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Igreja da Boa Morte, Céu e Inferno

Foi reinaugurada a igreja de Nossa Senhora da Boa Morte que fica na esquina da Rua do Carmo com a Rua Tabatingüera, próxima à Praça da Sé. Que bom!
Desde 1810 a pequena igreja recebe as preces aflitas dos católicos com seus mais variados problemas. Ó maravilha da misericórdia de Deus!
Aliás, tudo o que diz respeito à preservação e restauração de igrejas antigas me parece sumamente simpático. Vejo nisso uma santa reação – que pode na ser explícita mas em todo caso existe - ao espírito progressista, tão empenhado em desprezar a tradição e substituir ambientes sagrados, carregados de imponderáveis e bênçãos, por imóveis modernosos totalmente vazios de imponderáveis e de unção.
Nada mais sem graça para a alma do que uma igreja sem adornos, sem imagens bonitas, sem ouro e sem maravilhoso sacro.
Logicamente, alegrou-me a profusão de notícias na mídia sobre o auspicioso fato.
Mas algo me deixa apreensivo...
Nos tempos antigos, os condenados à morte se detinham ali para uma última prece antes de sofrerem a pena capital. Evidentemente havia muito mais Fé do que hoje, e mesmo os pobres criminosos desejavam, embora não tivessem vivido bem, pelo menos morrer bem. Era o tempo em que se temia a Deus e o inferno eterno.
Isso nos leva a compreender o que a reinauguração dessa igreja tem de maior importância:
É o fato da igreja ser dedicada a Nossa Senhora da Boa Morte.
A explicação vem do fato de Nossa Senhora ter tido uma morte tão santa e suave que a Igreja prefere expressar como a "dormição" de Nossa Senhora.
Ora, no fundo, é para todos nós católicos termos uma boa morte que existe a Santa Igreja Católica Apostólica Romana.

O momento mais importante de nossa existência é a hora da morte; pois é na hora em que morrermos que Nosso Senhor Jesus Cristo nos julgará e nos dará uma sentença eterna.
Em que termos Ele nos julgará a todos e a cada um?
- Seremos julgados em função dos 10 Mandamentos, que é a Lei de Deus, e da qual Ele disse que não será subtraído nenhum jota.
Nesse momento a vida nos terá parecido curtíssima!
Se não tivermos vivido como devemos, sentiremos o efêmero e a ilusão de tudo a que nos apegamos e nos dedicamos indevidamente. Como gostaríamos, então, de estar com o crédito muito mais elevado junto ao divino Juíz...
Nessa hora nos daremos conta que a única moeda que tem valor na eternidade é a virtude, ou seja, a nossa luta empreendida por amor de Deus e para a glória dEle.
Se recusarmos a Deus o nosso amor e serviço, seremos condenados ao inferno.

Se, entretanto, soubermos amar a Deus sobre todas as coisas e praticar os Seus preceitos; se soubermos viver as virtudes com intenção de nos santificar, iremos para o Céu.

Minha pergunta cheia de incertezas é:
Será que, nas atividades desempenhadas nessa bela igreja, este aspecto tão central vai ser considerado com a importância que tem? Muito mais valioso do que todo atendimento material que eventualmente poderá ali ser dispensado?
A boa morte é o contrário da morte má. Se não houvesse o risco da condenação eterna qualquer morte seria, em tese, boa. Pelo menos não seria má...
Que essa igreja fundada com tão elevado objetivo – e que vai estar aberta 24 horas por dia – ajude ao maior número possível de católicos a alcançarem uma boa morte e assim a se salvarem eternamente para a maior glória de Deus.
Lembro que a Irmã Lúcia, narra em suas memórias, que em 13 de julho de 1917, quando Nossa Senhora lhe mostrou o inferno (e também aos dois primos bem aventurados), viu os pecadores caírem nele como as folhas caem das árvores nos invernos europeus. Isso há quase 100 anos atrás! Quando nem se falava em divórcio, em aborto, em aberrações morais de todo gênero etc.
Essas simples considerações fazem brotar uma conclusão: quão especial é a função da igreja de Nossa Senhora da Boa Morte e quanto bem ela poderá fazer nestes dias onde o rebanho católico vive tão distante dos Mandamentos!

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Os animais são símbolos... para os inteligentes.

Uma nova “aristocracia”, altamente privilegiada e midiatizada - a despeito de todo o igualitarismo propalado por tudo quanto é esquerda, diga-se de passagem - vem sendo artificialmente erigida em nome de uma ecologia cada vez mais questionada cientificamente, mas cada vez mais ideologizada e manipulada pelas forças comunistizantes: os animais.


À maneira das colunas sociais de expoentes de classe, fotos de animais com legendas totalmente banais, quando não estúpidas, o tipo: Panda gigante come melancia, ou: Gorila de oito meses, são de molde a provocar indignação por refletir quanto são ocas as mentes que as produzem. Parecem animais irracionais escrevendo sobre seus semelhantes.

Que diferença de anos-luz em comparação com a maneira superior de Dr. Plinio Corrêa de Oliveira considerar os animais! Totalmente alheio a uma visão pseudo protetora dos animais e da natureza, externa ele o enfoque ideal com o qual devemos considerar os animais.
Chama a atenção como tanto o homem como os animais acabam dignificados. O homem se eleva e eleva o animal, e não se animaliza conforme faz o comum hoje em dia.


O mistério... em um gato: “As reações que os gatos despertam nos homens são muito diversas, pois vão do extremo da antipatia até o extremo do carinho, passando por toda a gama intermediária.
É que no gato, animal extraordinariamente rico em aspectos, há de tudo.
Tigre em miniatura, é ele uma minúscula fera, que às vezes se manifesta arranhando, mordendo, saltando inopinadamente, assustando, pondo tudo em rebuliço e quebrando o que encontra.
Mas, quando o elemento fera se aquieta, o gato se mostra de modo oposto: encantadoramente vivaz, delicado e distinto em todos os seus gestos, expressivo em suas atitudes, carinhoso, mimoso, em suma um verdadeiro bibelô vivo.
Um bibelô, entretanto, que não tem certo ar de bagatela, inseparável em geral até dos bibelôs mais finos. Porque em seu olhar, que tem algo de magnético e insondável, de reservado e enigmático, o gato conserva a terrível e atraente superioridade do mistério.” (Plinio Corrêa de Oliveira, A Inocência Primeva e a Contemplação Sacral do Universo, 225)

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Onde Deus faz "sentir" Sua divina presença?

Abrimos uma porta e entramos. O ruído cacofônico da frenética cidade moderna ficou lá fora. Um silêncio nos abraça, fazemos uma genuflexão num chão de lápides gastas pelos fiéis que vêm repetindo este pequeno ritual durante séculos.
Nossa mão desliza em busca da água benta numa pia de mármore. Andamos calmamente e ouvimos nossos passos produzindo discretos ecos enquanto, instintivamente, por um reflexo imposto pelo ambiente, nosso olhar se ergue para buscar no enorme pé direito, um ponto de apoio que simbolize a Deus Nosso Senhor.
E não é frustrado: lá está o vitral, tão rico em luzes que faz imaginar transfiguração de Cristo Nosso Senhor no monte Tabor. Parece um imenso tapete persa de cristal vivificado pelo sol. Meu Deus! Como sois Bom, Verdadeiro e Belo! Após a alma liberar o corpo subjugado pela contemplação, buscamos um banco onde possamos, o quanto antes, nos ajoelhar; posição natural de quem está em presença de tamanha grandeza.
Senti mo-nos então filhos de Deus, criados por Ele, remidos por Ele, objetos de um amor infinito. Pequeníssimos, recorremos a Nossa Senhora que interceda por nós e começamos nosso colóquio interior com o Nosso Deus adorado, a quem amamos sobre todas as coisas, a quem desejamos servir com todas as veras de nossa alma, para depois estar com Ele por toda a eternidade.
Neste momento, começamos a desfiar nossas angústias, nossas aflições, nossas lutas e tantas outras coisas, certos de que estamos sendo ouvidos e de que não estamos pedindo em vão.
Ora atendidos, ora não atendidos – isso depende dos desígnios do Criador -, sempre saímos da igreja com a alma engrandecida, posta em condições de enfrentar as provações e mais próxima de Deus. É este o ambiente que contemplamos nessas estupendas fotos de catedrais medievais.
Porém, ó tristeza, como tudo acontece em sentido contrário ao considerarmos as fotos que seguem. Dói-me dizê-lo que são da nova Basílica de Fátima. Não pretendo julgar a intenção do projetista nem dos responsáveis pela sua edificação. Mas, a realidade mostra que a sua ação sobre os espíritos é totalmente desprovida das características sobrenaturais das catedrais medievais. Veja o leitor a compare. Onde há a marca autêntica do espírito da Santa Igreja?


segunda-feira, 20 de abril de 2009

Imagens pró e contra Deus

O ser humano é formado de uma natureza espiritual associada a uma natureza animal. Por isso, muitas coisas teóricas que estão à altura da compreensão do seu espírito, não lhe proporcionam os elementos suficientes para uma ideia mais completa formada também a partir dos sentidos.
A natureza humana reclama uma complementaridade entre as ideias e os símbolos sensíveis correspondentes a tais ideias.
Por isso, o papel das imagens no culto católico é oferecer ao homem a possibilidade de concretizar em sua mente uma ideia, imaginada é verdade, a partir do sentido da visão, que lhe complete a ideia teórica que ele faz de Deus, de Nosso Senhor, de Nossa Senhora, dos Santos etc.
Isso explica porque, entre muitas outras coisas, Nosso Senhor Jesus Cristo quis imprimir, Ele mesmo, Sua divina imagem no Santo Sudário, talvez a relíquia mais importante da Cristandade após o Santo Lenho.

Quem contempla a Sagrada Face encontra elementos preciosíssimos para compreender a Majestade e a Severidade de Nosso Senhor, como também a seriedade com que devemos considerar Sua Paixão, Morte e Ressurreição.


Outra imagem, feita por mãos de homem, inferior em força, mas muito bonita, nos facilita compreender e bondade e paciência do Salvador para conosco pecadores; e nos incute a esperança de, arrependidos e penitentes, alcançarmos que Ele nos receba no céu para um convívio eterno. Nossa Fé se reforça, aviva, cresce diante da bela figura.
Como comentar a terceira foto?


Ousaríamos afirmar que alimenta nossa Fé? Que engrandece nossa ideia de Nosso Senhor Jesus Cristo? Que nos atrai para Ele? Que nos dá vontade de permanecer junto a ela pensando nEle? Absolutamente!
Ela nos repele, nos alheia, mata em nós a ideia autêntica que nossa Fé e nossa piedade filial mantém de Nosso Senhor no sacrário de nossas almas.
Não estamos fazendo um juízo de pessoas, apenas analisamos uma peça feita por mãos de homem. E somos levados a concluir que esta imagem exerce uma ação oposta à que deveria exercer.
Sobretudo se considerarmos que está no altar principal da nova basílica de Fátima, no extremo da Cova da Iria, local onde Nossa Senhora quis aparecer seis vezes, onde operou o grandioso Milagre do Sol, com a intenção de incutir nos homens o desejo de conversão, de santificação e, portanto, de maior amor e união a Nosso Senhor. É uma flagrante contradição, muito lamentável.