sábado, 8 de julho de 2017

Não pedir perdão a Deus impede a conversão

Num certo sentido este é o mês mais importante do rol das aparições de Nossa Senhora em Fátima, pois é o mês no qual Ela ditou o SEGREDO de FÁTIMA, fulcro da Mensagem de Fátima.
     Muitos mistérios envolvem ainda hoje a Mensagem de Fátima, sobretudo na parte referente ao Segredo, conforme tentarei mostrar.
     Quando a Irmã Lúcia escreveu em 1944 a terceira parte do Segredo, por ordem de Nossa Senhora anotou no exterior do envelope que este só poderia ser aberto em 1960 pelo Patriarca de Lisboa ou pelo Bispo de Leiria.
     Porém, no ano de 1957, o Vaticano pediu o envelope, de onde não se tem notícia que tenha saído.
     Evidentemente, o Vaticano teria o direito de pedir tal envelope, mas se Nossa Senhora, Ela mesma, mandou escrever que o mesmo deveria ser aberto pelo Patriarca de Lisboa ou pelo Bispo de Leiria, por que o mesmo foi pedido três anos antes?
     Além disso, é um fato histórico que o chamado terceiro Segredo não foi publicado a não ser no ano 2000, e mesmo assim sob uma forma que guarda mistérios não inteiramente esclarecidos.
     Quando Nossa Senhora pediu para os Pastorinhos guardarem o Segredo não o fez por superficialidade, nem muito menos por brincadeira. Tanto é verdade que o fato contribuiu para gerar, em torno do Segredo, uma expectativa enorme por parte dos católicos de todo o mundo.
     É evidente que a revelação de tal Segredo, se tivesse sido conduzida de forma zelosa e realmente apostólica, seria de molde a provocar uma grande reação nas almas. Reação essa que só poderia ser no sentido de uma conversão.
     Ora, a revelação foi feita e o efeito foi praticamente nulo nas almas. Basta sair às ruas e ver a imoralidade das modas, o desbragado das indumentárias e a loucura estabelecida como normalidade.
     Assim, uma Mensagem que teria sido uma alavanca extraordinária para soerguer as almas foi completamente neutralizada.
     Imaginemos que a revelação do Segredo tivesse sido acompanhada de uma grande ameaça por causa dos pecados reinantes: teria sido talvez a única maneira de despertar muitas almas do letargo. Mas não foi assim.
Há anos que, com raras e beneméritas exceções, tanto em Fátima quanto nos ambientes religiosos em geral se dogmatiza erroneamente que Deus não castiga ninguém, que Deus perdoa tudo e a todos. Esse procedimento incute nas almas uma convicção de que não devem temer nenhuma punição, que os Mandamentos são uma mera lista de normas sem importância e que rompê-los não determina nenhuma consequência.
Ora, afirmar isto, além de ser frontalmente contrário à doutrina católica, evita que as pessoas, movidas pelo temor de Deus, o qual as Sagradas Escrituras dizem que é o início da sabedoria, se convertam, especialmente antes de morrer. Portanto, tal procedimento compromete terrivelmente a salvação das almas. Explico-me com um exemplo.

Não é de hoje que temos assistido uma seguidilha de catástrofes, tragédias, doenças etc. E nunca aparece uma menção que é preciso nos convertermos, voltar a praticar os Mandamentos, frequentar os Sacramentos corretamente, mudar de vida... A única conversão que certos eclesiásticos apregoam é a do abandono das riquezas, as quais devem ser "compartilhadas" para fazer o socialismo e o comunismo.
Quase não se ouve um sermão que ataque a imoralidade. Muito menos um sermão que ataque a dessacralização. A maior parte das missas estão transformadas num vale-tudo. Recentemente li a reportagem de um Padre que promoveu em sua paróquia concurso de miss. E posa entre as candidatas seminuas na maior sem-vergonhice. Soube também de casos de bispos que frequentam termas de banhos públicos. E houve até o fato de um sacerdote que celebrou missa numa praia, estendendo para isso, diretamente sobre a areia, uma toalha.
Enquanto tais eclesiásticos ficam inteiramente impunes, vemos uma meticulosa investida contra os sacerdotes que desejam celebrar o Rito Extraordinário da Missa. Por que?
Quando acontece uma catástrofe espantosa como os terríveis incêndios que se deram em Portugal, exatamente no Centenário das tão mal comemoradas aparições, somos informados de pessoas, famílias, anciãos, devorados e carbonizados pelas chamas. Mas nesse noticiário não aparece, pelo menos nas notícias que vi, qualquer referência a um pedido de perdão a Deus, a Nossa Senhora, uma promessa de emenda, nada.
O fato de terem ouvido que "Deus não castiga", está na raiz dessa maneira naturalista de ver aqueles  trágicos acontecimentos. Quem responderá por isso diante de Deus?

Quanto a nós, devemos manter a esperança em Nossa Senhora e ter a certeza de seu triunfo. Isto é que nos move a lutar sem trégua, sem descanso, sem afrouxamento para esse triunfo.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Por que não se fala de Fátima?


Acabam de ser canonizados dois pastorzinhos que viram Nossa Senhora de Fátima. Isso é realmente importante e justo! O que não entendo é por que não se fala da mensagem da qual foram portadores, já que se tornaram santos.
Ora, as pessoas estão se dando conta de que as coisas em nossos dias vão se degradando em todos os campos da atividade humana, de que existe uma crise geral, que algo de grave está para acontecer.
Sim, porque o mundo vem adotando coisas descabidas do ponto de vista da inteligência, além de muito ofensivas à moral e aos bons costumes, portanto pecaminosas. Basta sair às ruas, basta ver as modas, basta ver as fisionomias das pessoas. O ambiente revela clima de fim de festa.
Analisem as fisionomias dos dois Santos acima. Não estão com um riso superficial e otimista como se tudo andasse bem. Elas dão a ideia da importância grave que eles davam à Mensagem que lhes foi comunicada. 
Assim sendo, podemos nos perguntar:
Por que nas igrejas não se apregoa a Mensagem de Fátima e não se reconduz as almas ao redil dos Mandamentos da lei de Deus? Afinal, na mensagem Nossa Senhora dá a solução! Oração, conversão, penitência.

 Fora do que Nossa Senhora pediu não há solução. Vamos para o abismo. Com Ela tudo se conserta. Sem ela tudo se arruína. Ou não se tem mais fé em Nossa Senhora nas igrejas? Que São Francisco e Santa Jacinta de Fátima intercedam por nós!

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

A demolição da aura da Santidade de Nossa Senhora nas mentes dos católicos

Já há alguns meses foi anunciado que será levada ao Sambódromo de São Paulo, durante o Carnaval deste ano, uma imagem de Nossa Senhora Aparecida, como tema de um carro alegórico da Escola de Samba Unidos da Vila Maria.
Por absurdo que seja, a mídia está noticiando que essa presença foi autorizada pelas mais altas personalidades eclesiásticas. A desculpa que dão é de que a tal Escola de Samba garantiu que não haverá, no carro alegórico da Vila Maria, cenas de nudez ao redor da imagem. Nos outros carros da mesma escola...
Ora, essas autoridades eclesiásticas sabem perfeitamente que, nesse Sambódromo, acontecerão as cenas mais lúbricas, de passistas em trajes sumários, quando não completamente nuas, em danças imorais que ofendem gravemente a Deus. Isso a tal ponto que fico impedido de ilustrar esta postagem.
Ademais, está na Internet, portanto ao alcance de qualquer pessoa, a informação de que tal escola de samba sempre desfilou ostentando o mesmo grau de imoralidade das demais. As chamadas musas do Carnaval exibem-se escandalosamente, conscientes de que assim satisfazem os desejos baixos da maioria do público ali presente. Quem vai ao Carnaval vai atrás disso...
Não adianta dizer que a Escola de Samba que levará a imagem fará uma como que bolha “moralizada” (moralizada?), que só existirá junto á imagem, e não no Carnaval que se desenrolará em torno dela. Isto não passa de uma imensa hipocrisia.
Seria algo como levar a imagem a uma praia nudista, garantindo que os que a carregam não estarão nus. Por aí vemos o farisaísmo dessa autorização absurda, que põe à sombra os anos a fio de promoção desse imenso pecado que é a imoralidade gigantesca reinante nesses eventos, acrescida do consumo de drogas, de bebedeiras, uma perfeita bacanal.
Mas não é só isso. Há algo que vai mais longe e é muito mais grave.
Ficará a impressão extremamente danosa para os católicos e mesmo para os não católicos, de que a Igreja já não censura a imoralidade carnavalesca. E que tudo aquilo que acontece no Sambódromo não constitui ofensa a Nossa Senhora e a Deus. E que a tal bolha hipócrita só foi criada para dar uma certa satisfação aos “conservadores atrasados, que ainda estão vivendo na Idade Média”, pois o Carnaval com sua nudez não tem nada de mais.
Lembremo-nos que hoje a Sagrada Comunhão é dada em muitas igrejas, e com a maior naturalidade, a pessoas trajadas de modo sumário, com shorts ou microssaias as mais desavergonhadas, isto sem falar dos decotes que deixam à mostra partes do corpo feminino que não poderiam estar em exibição segundo a moral católica.
Ora, é evidente que esse endosso eclesiástico ao Carnaval vai estimular a ousadia rumo ao nudismo total. E nas ruas e até nas igrejas o despudoramente vai aumentar ainda mais.
Francamente, é inacreditável que a maioria dos pastores de almas não deem a menor importância para isso. Há não sei quantos anos a omissão deles em relação à progressiva imoralidade do Carnaval e dos trajes civis vem chamando a atenção.
No que dará isso? Dará na estatística que a revista Carta Capital publicou em novembro último: a cada 11 minutos uma mulher é estuprada no Brasil!
O estupro é uma coisa abominável e deve ser severamente punido. Mas a culpa é só dos estupradores? A atração exercida pelo jeito provocativo com que estão as modas não tem também responsabilidade nisso? Uma vez que o senso moral e religioso está desaparecendo, o que deterá as pessoas assim provocadas?
Imaginem que aparecesse a moda de durante a noite as casas ficarem com as portas visivelmente abertas. Haveria espanto em se constatar um aumento de roubos delas?
Tiremos uma conclusão: Por que as cadeias estão cheias? Nossa sociedade corrompida, sem moral e sem religião, produz bandidos em uma proporção espantosa. A ponto de hoje termos, dentro das prisões superlotadas, um verdadeiro governo paralelo ameaçando as instituições e o País.
Na lógica dessa argumentação, esse imenso pecado de permitir que a imagem sacrossanta de nossa Rainha e Padroeira seja levada ao Sambódromo, deverá trazer consequências imprevisíveis, caso os brasileiros não reajam à altura.
O que vivemos hoje não é senão fruto da indiferença de 100 anos com relação à Mensagem transmitida por Nossa Senhora em Fátima.
Depois de tudo quanto já caiu e nos jogou de 97% dos brasileiros  na década de 1960 para 50% em nossos dias, agora chegou a vez de destruírem a aura de santidade e respeitabilidade de Nossa Senhora.

Portanto, a única saída é voltarmo-nos para Ela e pedir-Lhe que tenha compaixão dos que A amam e procuram levar a sério a sua santa mensagem. Que Nossa Senhora, sob as invocações de Aparecida e de Fátima, proporcione aos seus filhos e filhas fiéis muitas graças nesse sentido.

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Asdrubal reconhece chorando: Paulo VI tinha razão!

            Perto de casa tem uma padaria muito conhecida chamada Diana, onde costumo me refugiar da internet para tomar um café e ler um pouco. Há poucos dias estava eu mergulhado na leitura quando percebi um vulto que se aproximou. Era o Asdrubal, ministro da Eucaristia da igreja de Santa Genoveva, não muito distante.
            Eu o tinha visto várias vezes enquanto ministrando a Sagrada Comunhão, inclusive comunguei algumas vezes das mãos dele porque dá a comunhão na boca, e até para quem se ajoelha, sem a menor dificuldade. Diz ele que não compreende essa KGB eclesiástica que persegue exatamente aqueles que demonstram maior Fé e respeito para com o Santíssimo Sacramento.
            Já havia conversado com o Asdrubal uma ou outra vez na padaria mesmo, mas dessa vez ele estava literalmente transtornado. Ele sabe que eu sou um tfpista e me acha muito radical, mas, fiel à mentalidade de ouvir todos, também gosta de me ouvir, e não se considera meu inimigo. Por isso se aproximou sem preconceito e se sentou.
            Percebendo nele a aflição, as olheiras escuras, e sua limitada cultura religiosa, optei por ser caridoso com ele. Preciso antecipar que sua formação distorcida lhe incutira a falsa ideia de que o Papa é infalível em tudo, e por isso também os Bispos, pelo mesmo motivo os padres e até os sacristões. Olhou-me e foi desabafando.
            “Há muitos anos sou ministro da Eucaristia e acompanho, sem gostar muito, a “modernagem” da Igreja que está indo longe demais. Quando foi eleito Bento XVI eu achei que as coisas iam se consertar, ou pelo menos se deter. Acreditei mesmo nele. Ele fez o Motu Próprio etc. Mas, de repente, renunciou. Não entendi, eu não esperava.
            “Aí veio esse novo pontificado completamente diferente de tudo o que ensinou Bento XVI e até os outros papas. No começo fui admitindo imaginando que tudo se explicaria de acordo com o que eu aprendi sobre a Igreja Católica.
            “Mas foram sendo ditas coisas por Francisco não como ele pertencendo à Igreja, mas questionando a Igreja em tudo. Para ele Deus não é católico, os recasados podem comungar, a Igreja deve pedir perdão aos homossexuais, Lutero queria o bem da Igreja etc.
            “Ele censura a Igreja como se Ela tivesse sempre errada. Visivelmente apoia os movimentos comunistas e seus líderes que não têm nada de católico. O Stédile chegou a afirmar que “Agora nós temos Francisco. Ele acertou todas”. E, coisa que eu não entendo, não elogia os que estão certos, os que praticam os Mandamentos e apontam os erros dos desviados. Está tudo na mídia! Por que isso?” Perguntou e me olhou com os olhos marejados de lágrima.
            Em primeiro lugar Asdrubal, disse-lhe eu, a Doutrina Católica de sempre ensina que nem o Papa, nem o Bispo, nem o Padre e menos ainda qualquer leigo, são infalíveis. O Papa só o é em situações muito especiais e não nas que têm se posto. Você está certo em analisar e buscar uma explicação.
            “Mas vejo muito conflito com a nossa religião! Aliás como é mesmo aquele dito de Paulo VI que uma vez você me disse e eu achei que estava exagerado?” Disse com voz meio embargada.
    Então eu lhe repeti a conhecida frase de Paulo VI: “A partir dele [do Concilio Vaticano II] penetrou na Igreja, em proporções impensáveis, a “fumaça de Satanás”, que se vai dilatando dia a dia mais, com a terrível força de expansão dos gases. Para escândalo de incontáveis almas, o Corpo Místico de Cristo entrou no sinistro processo da como que autodemolição.”
“É isso o que estamos assistindo! Paulo VI tinha razão!” E se despediu chorando.

domingo, 24 de abril de 2016

Uma nova igreja?

O enfaramento com notícias escandalosas e sensacionalistas é um fenômeno muito comum que atinge todos nós.
Após uma dose contínua e prolongada dessa espécie de droga que é a sensação muito forte, as pessoas se desinteressam e passam a buscar outra coisa; é o fruto do desgaste. O afã desesperado das TVs para manterem audiência indica o quanto esse fenômeno lhes é danoso.
Alguém está fazendo este caminho paradigmaticamente, o qual vem desagradando parcelas cada vez mais amplas da opinião pública católica e impressionando-a cada vez menos. Além disso está despertando uma crescente reação: é o Papa Francisco com o seu estilo único.
 Na ponta de uma fila de mais de duzentos e sessenta Papas e quase dois mil anos de História da Igreja, surge um que em quase nada se parece e em quase tudo diverge da conduta dos anteriores. Inicialmente o seu pontificado despertou a esperança que seria bom, mas hoje a desesperança ganhou a frente em parcelas cada vez maiores do público católico. 
Vai se tornando indiscutível seu apoio aos esquerdistas mais radicais e violentos como Stédile, os irmãos Castro, e o seu incentivo à revolução contra os proprietários. Ao contrário de Nossa Senhora de Fátima, ele não pede a conversão dos pecadores nem a penitência dos pecadores, mas lhes faz entender que basta terem amor, sorrirem e tudo dará certo.  O mesmo acontece com relação aos hereges e membros de outras religiões. Todos se abraçando é o reino de Deus nesta terra.
Lendo o extraordinário livro Minha Vida Pública, compilação de notas biográficas de Plinio Corrêa de Oliveira publicado pela Editora Artpress em 2015, detectei um trecho nas páginas 200 e 201, no qual o líder católico descreve a doutrina modernista da Ação Católica, tal como ele a via em 1943. Parece feito para hoje:
“Os homens, no fundo, não são maus. Eles são maus porque os bons desconfiam deles. No dia em que o bom confiar no mau, o mau se converte e se torna bom. Com o mau a gente deve conduzir a política da mão estendida. Deixemos todos os homens fazerem o que quiserem, que tudo correrá bem”
“No livro Em Defesa da Ação Católica apontei esse erro fundamental como sendo o ponto de partida de um certo ecumenismo. O ecumenismo pressupõe que, estabelecendo-se relações amáveis, dulçurosas, com os hereges, com os cismáticos, a pessoa os acaba convertendo.
“O apostolado deveria ser, portanto, ecumênico: discussões jamais, polêmicas jamais; o sorriso seria o veículo natural da graça de Deus.
“E se uma pessoa, em vez de sorrir e de ser amável, discutisse com os que estão no erro, essa pessoa rejeitaria o ‘fiel do Cristo’ que quer vir ‘ao Cristo’.
“Era preciso, portanto, jamais dizer a alguém: ‘Você está no erro, você não pode pensar assim’. Ou: ‘Tal maneira de proceder é contra tal Mandamento da Lei de Deus’. Não! Sorrir! Somente sorrir”.

Impressiona enormemente a adequação desse texto à atuação do Papa Francisco.
A sequência da citação expressa ainda outro aspecto da questão, também muito coincidente com a “pastoral” que hoje se inculca.

”E então a atitude militante da Igreja não tinha mais razão de ser. A atitude da Igreja devia ser conciliante, própria a reconciliar e fazer com que as pessoas boas, as pessoas honestas vencessem sempre a batalha não combatendo. O resultado seria que, diante de tanto amor, tanto amor, tanto amor, a maldade humana não resistiria.
“Não havia, pois, razão para estar combatendo. A luta era uma coisa errada.”

É impressionante a coincidência também com a perseguição que sofrem todos os que obedecem a Deus cumprindo os Mandamentos e, em consciência, repudiam a generalizada insubmissão a eles.

Para abordar um tema atualíssimo que comprova nossa análise, vejamos o enfoque da teoria relativista do Cardeal Kasper, e adotada por Francisco na Amoris Laetitia, de que a Lei de Deus é uma coisa e a sua prática é outra. Esta tese aberra da lógica. Seria como afirmar ser o código de trânsito de uma megalópole apenas letra. Na prática, os motoristas podem fazer o que bem entenderem. Seria um desastre!



Alguém me dirá:
-- Você não pode criticar assim o Papa. Sendo ele quem é, a atitude que você toma é um desrespeito flagrante à autoridade dele. É preciso seguir tudo o que ele diz sem tergiversar.

Quem quer que conheça um pouco de Teologia ou de Direito Canônico sabe que o carisma da infalibilidade só ampara o Sumo Pontífice em certos atos do Magistério, praticados em condições muito definidas. E que a adesão devida aos seus ensinamentos doutrinários não infalíveis não importa em proibir os fiéis de discordar – com fundadas razões – de atos concretos praticados por um Papa.

Esta doutrina foi sustentada em data relativamente recente por um abalizado teólogo que depois se tornou Papa: Joseph Aloysius Ratzinger, ou seja, Papa Bento XVI. Disse ele:
“É possível e até necessário criticar os pronunciamentos do papa, se não estiverem suficientemente baseados na Escritura e no Credo, ou seja, na fé da Igreja universal. Onde não houver, nem a unanimidade da Igreja universal, nem o claro testemunho das fontes, não pode também haver uma definição que obrigue a crer. Faltando as condições, poder-se-á também suspeitar da legitimidade de um pronunciamento papal” (Joseph Ratzinger, Das Neue Volk Gottes – Enwürfe zur Ekkleseologie, Düsseldorf: Patmos-Verlag, 1969, trad. br. por Clemente Raphael Mahl: O Novo Povo de Deus, Paulinas, São Paulo, 1974, p. 140).


A cada dia que passa ficamos atônitos e nos perguntamos: Estaremos em presença de uma nova doutrina? De uma nova igreja? Tal a quantidade de dissonâncias com o Magistério da Santa Igreja, não só em seus documentos escritos, como também na doutrina subjacente à sua práxis inovadora que a pergunta se põe. Realidade que está sendo percebida com perplexidade pelos católicos do mundo inteiro numa proporção que vai aumentando dia a dia.

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Tiro de misericórdia na instituição da família e motivos de esperança

Em artigo publicado no The New York Times (7/9/2015), a colunista Claire Cain Miller narra que, segundo uma pesquisa produzida pela Harvard Business School, 37% das jovens da geração do milênio, 42% das quais já casadas, planejam interromper sua carreira para se dedicar mais à família.
Eis uma novidade conservadora a mais não poder. Não é de agora que algo está mudando profundamente no comportamento da opinião pública ocidental.
Parece que as novas gerações estão descobrindo que o matrimônio deve ser vivido como uma perfeita equipe, onde cada um dos cônjuges cuida de uma parte das obrigações familiares. Assim, cada um não precisa se preocupar com as obrigações da outra parte e pode se dedicar com determinação ao que lhe compete. Estão redescobrindo o óbvio, abandonado pelas gerações anteriores.
Um modismo ultrapassado e ilusório introduziu a falta de amor verdadeiro na família, criando a desconfiança mútua que induziu incontáveis famílias a se divorciarem. Divorciando-se vinha a pergunta: como a mulher devia se manter? E as crianças?
Nasceu a necessidade de ambos os cônjuges se prepararem para ter autonomia caso a separação viesse, e ela veio cada vez mais. E as crianças? Foram relegadas às creches ou algo parecido.
Pobres crianças! Entregues a zeladoras organizadas para administrar a população infantil como um rebanho e não com o desvelo materno exclusivo (que muitas monitoras de crianças nem tem). Longe do lar, de quem as crianças vão receber aquela matriz de bondade e dedicação heroicas que só as mães podem proporcionar? Onde haurir aquele desinteresse, aquela generosidade e aquele amor vinte e quatro horas por dia? O que a mãe proporciona, a “tia” jamais conseguirá igualar.
E quem vai preencher para a criança o papel que só o pai pode preencher? Quem é, para a criança, o herói? Quem é o protetor natural, quem representa para os filhos o forte, o corajoso, o decidido, o invencível? Vivendo e se formando dentro do rebanho de uma creche, os filhos não terão esse herói do bem, esse modelo de virtudes que é o complemento ideal da mãe.
Pai e mãe em conjunto são os únicos que podem proporcionar as virtudes indispensáveis para sufocar certos males sociais como a criminalidade, a droga, a imoralidade etc., pois só com o caráter adquirido numa família verdadeira os futuros brasileiros e brasileiras sobrepujarão a terrível destruição ocasionada pela revolução cultural. Os fatos pululam nos jornais todos os dias confirmando esta afirmação.
Evidentemente cabe à Igreja a parte necessária de uma real formação religiosa e moral para que a benção de Deus seja abundante nas famílias. Embora a Igreja seja hoje a grande derrotada, pois a liquidação das famílias, a imoralidade, as drogas etc., são do campo religioso e moral que estão, por ordem de Nosso Senhor Jesus Cristo, a cargo dela. Mas esta não é matéria para este artigo.
A verdade inegável é que o divórcio não foi o termino da destruição da família – Um abismo atrai outro abismo, dizem as escrituras – mas ele se generalizou de tal maneira que a família está quase extinta dando lugar à tentativa, por parte de inimigos de Deus, de eliminar até a ideia de família criada por Ele. Atribui-se a classificação de família a qualquer união estável entre homens ou entre mulheres. Daqui a pouco, por que não, até entre seres humanos e animais etc.
Por brevidade faço apenas referência à esdruxula Ideologia de Gênero, que é uma visão do ser humano e da família tão contrária à ordem natural que tem como pressuposto o enlouquecimento das pessoas para tornar-se realidade. Teoria esta que vai sendo, mesmo contra a lei, aplicada em várias escolas sob o olhar pusilânime de autoridades civis e religiosas.
Mais ainda. Hoje em dia nada se encontra mais débil do que a família. E nada necessita mais de um socorro e de um soerguimento urgentíssimo do que a família. Neste sentido causou imensa perplexidade em muitas pessoas, até do alto clero, o inexplicável Motu Próprio do Papa Francisco facilitando ainda mais o desmanche das famílias. Foi um verdadeiro tiro de misericórdia na sagrada instituição da família. A situação clama exatamente pelo oposto, por uma reeducação religiosa e moral tendo em vista o sólido soerguimento da família. Ficamos atônitos…

O que nos consola e enche de esperança é que, conforme mencionamos no primeiro parágrafo, a geração do milênio está esboçando a “volta à casa paterna”. E se tal movimento for motivado interiormente por Nossa Senhora a vitória está garantida. É o que esperamos.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Lição para Bispos, Padres e Ecologistas que perderam a Fé

Quando cães precisam apontar a presença real de Jesus Cristo
Sergio Bertoli

O que entendemos por milagre na doutrina da Igreja Católica, Apostólica, Romana? — Trata-se de um fato, ou melhor, de um acontecimento que contraria as leis da natureza. Nosso Senhor Jesus Cristo realizou numerosos milagres, sendo o da própria ressurreição o maior de todos, pois se não tivesse ressuscitado vã seria nossa fé, conforme ensinamento de São Paulo Apóstolo.
Milagre é também um dos aspectos da vida dos santos e uma confirmação marcante da veracidade da Igreja, que na sua sabedoria e prudência foi sempre muito cautelosa na comprovação de um milagre. Exemplo disso ocorre em Lourdes, na França, onde de 1858 até hoje houve grande número de milagres operados, embora os reconhecidos pela Igreja ainda não cheguem a setenta.


Relicário com o “Milagre de Lanciano”, ocorrido no século VII. À esquerda, a carne em uma custódia de prata. À direita, o sangue em cálice de cristal.
A Igreja sempre incentivou os fieis a fortalecerem sua fé admirando e contemplando os milagres. Por exemplo, há muitos deles relativos à presença real de Nosso Senhor Jesus Cristo na Hóstia consagrada. Talvez o mais conhecido seja o de Lanciano, Itália.
No site www.americaneedsfatima.org consta a narrativa de um milagre eucarístico relativamente recente, digna de figurar na Legende Dorée ou nos Fioretti de São Francisco de Assis.
No último dia da estadia de João Paulo II aos EUA, em 1995, ele visitou em Baltimore o seminário de Santa Maria. Quis também fazer uma visita não programada à capela do Santíssimo Sacramento. Sentindo os responsáveis pela sua segurança a necessidade de uma ágil tomada de precauções, puseram-se a percorrer as salas e demais dependências do edifício com cães farejadores, utilizados em desabamentos de prédios e catástrofes naturais.

O objetivo era localizar eventuais pessoas escondidas no local com intenções escusas. Os cães esquadrinharam a capela e nada encontraram. Farejaram também o altar do Santíssimo Sacramento, e não encontraram ninguém. Quando chegaram diante do Sacrário, pararam e olharam fixamente, como procedem quando há alguém entre os escombros.
Com os olhares fixos no Sacrário, cheiravam, grunhiam e se recusavam a sair do local, apresentando todas as características de estar ali uma pessoa escondida. Na verdade, não havia ninguém, exceto no interior do tabernáculo, onde estava realmente o verdadeiro corpo, sangue, alma e divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo. Os cães só se retiraram depois de receber ordens dos seus responsáveis.

Inteirei-me do acontecimento apenas agora, ou seja, 20 anos depois, apesar da rapidez sideral dos meios de comunicação de nossos dias. Com efeito, tamanha é a indiferença das pessoas de hoje em relação ao sobrenatural e à Religião, que Deus Se serviu desses cães para lhes dar uma lição de credulidade. Se estivéssemos nos tempos medievais, tal acontecimento seria certamente imortalizado em maravilhosos vitrais de várias de suas imponentes catedrais.